Ronaldo e a extorsão

30 abril, 2008

Não sou uma fã entusiasta do jogador Ronaldo Fenômeno e muito menos advogada dele, quem dera!
Mas tive uma experiência que pode dar alguma credibilidade ao depoimento dele.

Fiz meu estágio curricular no TJDF na área criminal. Direito Penal nunca foi minha área preferida, mas era lá que tinha vagas.Um dia estávamos nós – eu e mais dois colegas – meio de bobeira porque tínhamos terminado os relatórios do dia e ainda eram umas 15:30 e nosso horário ia até às 17h.

Resolvemos ir assistir audiências. Acontece que nas varas próximas à nossa sala não tinha nenhuma que pudéssemos ver, ou já terminado as audiências ou eram sigilosas. Fomos para a outra ala.

Fomos tão longe que pensei até que íamos assistir alguma audiência da àrea cível, o que iria render uma bela bronca da nossa orientadora. Mas que nada, o melhor ainda estava por vir. Encontramos uma vara criminal onde havia uma audiência. Entramos, sentamos e ficamos calados prestando atenção, o comportamento padrão dos estagiários nas audiências.

Eis que a juíza fala para o autor contar sua versão: ele fala nome, demais dados pessoais, estado civil CASADO (!!!), e nós lá calados, sem poder fazer nenhum comentário do tipo: ô cidadão, pára de enganar a sua esposa, separe-se, se assuma e seja feliz.

A história: diz que combinou um programa com o travesti e havia combinado um preço X mas que chegando lá o travesti ameaçou dar um escândalo, ficou com celular caro do cliente e o obrigou a ir em caixa eletrônico para retirar uma quantia que era 3 ou 6 vezes maior que o preço do programa, não lembro o valor exato. E que mesmo depois da extorsão do dinheiro, o réu ainda tinha furtado seu celular Sony caro, que era até lançamento na época.

Depois de contada a versão do autor, a juíza o liberou e ele foi embora. Aí entra a testemunha de defesa, outro travesti que seria a faxineira do réu.
Mesma coisa: ela fala seus dados pessoais, o que é do réu e há quanto tempo o conhece, coisa e tal. Chega o momento dos advogados “entrevistarem” a testemunha, um deles pergunta: você também faz programa? (!)

E a juíza; não, não vou aceitar essa pergunta, não é pertinente, não é relevante. HAHAHAHAHAHAHA
Deu muita vontade de rir na hora, mas tivemos que rir por dentro.

Nessa altura da situação já tinha dado o horário de irmos embora e fomos pra nossa sala. A orientadora perguntou onde tínhamos ido, contamos o caso todo e ela disse: ah, o réu era fulano de tal? E a gente: era sim.

E ela: ah, já o defendi algumas vezes, ele é velho conhecido aqui no fórum.
Isso tudo é só para demonstrar que a extorsão sofrida pelo Ronaldo, não é algo impossível e nem mesmo raro na prática forense.

E parece que confundir travestis com mulheres também não é algo tão raro assim, virou moda entre os famosos.

Lila