Obama vence e o racismo dá as caras

18 novembro, 2008

november-4-20084Essa montagem vocês já devem ter visto em vários blogs, mas resolvi colocar aqui também, por seu impacto e representatividade. Achei o link do autor é o Patrick Moberg. Comecei a escrever este texto em 09/11/2008. Era um texto para celebrar a eleição de Obama, mas depois de ler na net tantos comentários preconceituosos sobre ele, tive também que tocar no assunto racismo. Se vocês lerem os comentários dos posts  nos links, comprovarão isso. Foram tantos coments ofensivos que fiquei 9 dias sem escrever, digerindo tudo. Isso também aconteceu com o caso Eloá, em que fiquei 3 semanas sem escrever. Estava tão chocada com o crime, o julgamento machista sobre a conduta das moças, a vitimização de seu algoz “só um jovem apaixonado, coitado”, a cobertura sensacionalista da imprensa, o desrespeito e falta de empatia pelo sofrimento das vítimas que aquilo tudo me bloqueou a vontade de escrever.  Enfim, vamos ao post:

obama83Uhul! Yes, we can! Obama Wins! 🙂 Assim que me senti quando anunciaram o resultado das eleições norte-americanas. Foi com alívio que recebi a informação que Obama tinha ganhado. Mas sinceramente, eu já sabia, mesmo acompanhando bem de longe, havia um clima no ar que não me deixava dúvidas. O mesmo clima de quando Lula venceu em 2002. Sinceramente, achava que nem com toda as fraudes do mundo os republicanos levavam essa. Bush Jr já é considerado o pior presidente americano de todos os tempos  É com otimisto que vejo esta eleição de Barack Obama. Li muito sobre as eleições americana nos últimos dias e acho fantástico o fato de um país que era declaradamente racistas até pouco tempo, eleger um negro presidente. E  em 04/11/2008 se fez História com H maiúsculo.

obama-hopeSou otimista que Obama fará um governo diferente pela história de vida dele, pelos projetos e votações dele no Senado, pelos discursos firmes durante sua campanha, por acenar com a possibilidade de conversar com países considerados inimigos, inclusive Cuba, pelo fato de pertencer uma minoria – apenas 13% dos americanos são afrodescendentes, aqui no Brasil são eles são pelo menos metade da população. Mas é claro que não acho que ele seja uma espécie de super homem, muito menos o salvador da humanidade, como sugerem por aí os detratores, para desqualificar sua vitória. E que ninguém se iluda, como todo presidente americano é claro que ele vai defender os interesses dos EUA em primeiro lugar (a diferença é que ele parece preocupado com o interesses do povo  americano também), o que aliás é a preocupação que todo presidente deveria ter com sua própria população.

Infelizmente nem tudo é alegria após a vitória de Obama, já há gente contestando, dizendo que ele não é negro. Ora, isso é de uma desinformação ou mesmo má fé enorme, o Caetano falou issoA Ku Klux Kan também. Parabéns, Caetano, você está em ótima companhia.

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Será possível que vão querer embranquecê-lo? Será que todo afro-descendente de sucesso vai ter que ouvir sempre “ah, mas você não é (tão) negro assim, você é moreno, é mulato”, etc. Não que isso seja essencial para a pessoa que é ele, o caráter  ou a competência que tenha, mas não queiram apagar a identidade dele. Obama é negro, sua esposa é negra, suas filhas são negras, ponto. Interessante ver que a eleição de Obama reacendeou o debate sobre o racismo no Brasil e que aqui, dizem, o preconceito não é racil, é social. Mentira, papo furado, bullshit. Embora seja necessário ser afrodescendente para sentir na pele o racismo, não preciso ser negra para saber que ele é existe e que é odioso e hipócrita.

posl04_obama08033Olhem bem para esta foto, vocês todos que são contra as cotas nas universidades. Obama e amigos sentados no que parece ser a escadaria de uma universidade, perceberam que ele é o único negro? Não sei se ele valeu de ação afirmativa específica para entrar na faculdade, porque a família da sua mãe tinha dinheiro, mas sua esposa, de família pobre, muito provavelmente precisou. E, não, cota não é racismo às avessas, não é afirmar que o negros são menos inteligentes, é sim, constatar, que até hoje há uma enorme desigualdade social e infelizmente esta atinge mais os negros.

obama-e-micelleO que é racismo? Segundo a ex-Ministra da Secretaria Especial da Presidência da República para Políticas de Promoção da Igualdade Racial Matilde Ribeiro: “Racismo é quando uma maioria (étnica) econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros”. Navegando pela net este mês, encontrei vários gênios por aí dizendo: “Racismo, não existe porque não existem raças, somos todos da raça humana” ou “Racismo no Brasil é burrice, porque aqui somos todos miscigenados”.

Oh, Really? Agora conta aquela do papagaio. Vem cá, vocês acabaram de descobrir a América também, né? É ÓBVIO, para qualquer um minimamente informado que raças, no sentido génético da palavra, não existem entre os humanos. Mas existem diferenças étnicas e identidades culturais. Como diz a Conceição do blog Maria Afro: “A negritude também passa pela identidade, pelo auto-reconhecimento. Mas o nosso racismo não liga para esses pormenores: ele atira e depois pergunta, ele segrega na calada da noite, ele veta os bancos das universidades e os altos cargos executivos, ele mata pela ausência de políticas públicas na saúde, ele esconde o rosto negro da televisão ou quando o mostra, representa-o sempre nos velhos e estereotipados moldes…” É por isso, que faz sentido discutirmos racismo até porque ele existe e é crime inafiançável e imprescritível, escondê-lo ou ignorá-lo só piora a situação.

“Uma sociedade que tomou medidas especiais contra o negro por centenas de anos deve agora tomar medidas especiais para ele, para prepará-lo para competir em bases iguais e justas” (Where we go from here) Martin Luther King. Mas racismo e cotas devem ser tratadas em outro(s) post(s), com maior profundidade, análise jurídica e social, etc (até porque não consigo escrever pouco mesmo). Diante dos fatos e dos pensamentos racistas não se pode dizer que o preconceito é apenas social, o preconceito é TAMBÉM social, mas sobretudo é racial. Um branco que ascende socialmente nunca será impedido que entrar em restaurante chique, ou será parado numa blitz pelo simples fato de estar dirigindo um carro velho ou novo – que não seja popular – e baseado unicamente em sua cor, ser considerado suspeito.

Lila

Links:

Barack Obama eleito presidente dos Estados Unidos. Nasce um estadista

Racismo Wikipedia

Caetano cada vez mais gagá

Eu vi a história acontecer ou sobre-tudo-e-sobre-o-mesmo

Porque o Obama não é mulato

Eu tenho um sonho: Obama eleito presidente dos EUA

Judith Butler sobre a eleição de Obama

O Sorriso de Obama

Promessas que Obama não cumprirá, 1 de 3

Promessas que Obama não cumprirá, 2 de 3

Promessas que Obama não cumprirá, 3 de 3

Barack Obama é o novo presidente dos EUA

A direita antiintelectual entra em crise

Obs.: Achei tão estranho esse “antiintelectual”, dá vontade de por um hífen ali, isso é alteração da reforma ortográfica, ou já era assim mesmo?

E a Lola redigiu vários posts sobre a vitória de Obama

Viva Obama!

Meu presidente é negro

O Único

Obama e as mulheres

Vale a pena ver de novo: a esperança venceu o medo


Eleições 2008 II + Enquete: O voto deve ser obrigatório no Brasil?

15 novembro, 2008

vota-brasil Para começar, devo dizer que não tenho opinião formada quanto a isso. Eu, que sou uma palpiteira de plantão, que tenho opinião sobre tudo, não consigo me decidir. Vale lembrar que o voto obrigatório não é cláusula pétrea da Constituição Federal (CF) de 1988. A grosso modo, cláusulas pétreas são disposições constitucionais que não podem ser objeto que emenda que acarretem a extinção do direito ou da matéria por elas tratadas.

Exemplificando, o artigo 14, páragrafo 1º da nossa CF, prevê:

“Art. 14 – A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos …

§ 1º – O alistamento eleitoral e o voto são:

I – obrigatórios para os maiores de 18 anos;”

Mas em seu artigo 62 – que trata das cláusulas pétreas – inciso III, parágrafo 4º, nossa CF dispõe:

“§ 4º – Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

II – o voto direto, secreto, universal e periódico;”

Observa-se que o art. 62 não impõe a obrigatoriedade do voto como cláusula pétrea. Conforme a interpretação majoritária, isso significa que poderá haver emenda contitucional que torne o voto facultativo no Brasil.

Vou postar um argumento contra e um a favor, sobre o voto facultativo:

1) Contra: estivemos, em nosso passado recente, em uma ditadura, em que diversos direitos políticos foram cassados ou suspensos, por decisão dos ditadores. Nossa democracia é muito recente, só em 1989 tivemos nossa 1ª eleição direta após 25 anos de ditadura e de eleições indiretas. Assim, a população não estaria amadurecida para participar do processo eleitoral se o voto fosse facultativo.

Há quem diga que, se o voto fosse facultativo, os que não participaram do processo eleitoral também não poderiam se manifestar sobre o governo, é um pensamento do tipo: “Se você não votou, não se manifestou sobre o destino político de sua cidade, estado ou país, não tem o direito de falar contra o governo, porque você se omitiu”. Não sei, acho que opiniões como essas seriam cerceamento de liberdade de expressão. Porque, a pessoa não votou, mas também paga impostos e pode por isso também opinar sobre o governo, afinal, o governa-se para todos, votantes ou não.

2) A favor: Tendo em vista a enorme desigualdade social no Brasil, que se faz mais presente em regiões mais pobres e no interior, talvez, se o voto fosse facultativo, os políticos se empenhariam mais com suas cidades, regiões e bases eleitoriais. Será que não haveria uma conscientização maior por parte dos próprios políticos a seus eleitores sobre o poder e o valor do voto? Claro que ainda haveria promessas de campanha, mas considerando uma maior conscientização, será que o povo não iria cobrá-las com mais afinco, e mais delas seriam cumpridas?

Sinceramente, acho que ainda que o voto fosse facultativo, ainda assim haveria compra de votos. E acho que as quantias oferecidas cresceriam, não seriam mais vendidos votos por trinta reais, mas por valores bem mais altos.

Bem, pode-se dizer que, na prática o voto já é facultativo. Pode-se ir em outra seção eleitoral e justificar. Mesmo se a pessoa ficar 3 eleições sem votar e correr o risco de ter seus direitos políticos suspensos, e ainda não poder tomar posse em concurso público, é só correr na justiça eleitoral e pagar uma multa de R$ 10 e pronto, fica regularizado.

Atenção! O prazo para justificar, perante a justiça eleitoral, a ausência de voto no 1º turno vai até 4 de dezembro.

Link: Não votou e não justificou? Saiba o que fazer.

PS: agora que percebi que hoje é a data da Proclamação da República.

Lila

Enquete


Eleições 2008 parte I

5 novembro, 2008

1º peço mil desculpas à minha meia dúzia de leitores pela escassez de posts, é que fiz 3, eu disse três concursos seguidos: STJ, TRT e Ministério da Saúde. Minha vida nos últimos meses foi estudar.
2º Bem que eu queria ter postado antes, mas minha internet está um c*. Sério, quem me conhece pessoalmente sabe que eu nunca falo palavrão, mas essa merece. Tem uma semana que minha conexão, supostamente banda larga, está uma merda. Ontem foi o cúmulo, ficou o dia inteiro “fora do ar” e só voltou às 11 da noite (ou 23h, como queiram). Agora o post:

Este ano eu não votei. Se alguém já leu outros posts, deve se lembrar que eu moro em Brasília e que aqui não tem eleição municipal. Agora surprise: meu título ainda é de Formosa (GO), cidade em que morava antes, a 70 Km de Brasília. Só que, por mais politizada que eu seja este ano resolvi justificar, explico: o 1º turno das eleições foram no dia 05/10 e minha prova era em Goiânia no dia 12/10.

Além de preferir ficar estudando, houve outro motivo, em Formosa eram 5 candidatos: 1 do PSDB, 1 do DEM, 1 do PP, 1 do PR e 1 do PT. Sabendo que sou esquerdista, você, leitor poderia dizer: mas havia um candidato do PT. É, e ele foi eleito deputado estadual na eleição de 2002 e nada de concreto fez de oposição ao ex-governador Marconi Perillo (eca) do PSDB. Fora os boatos que rolam lá em Formocity sobre esse candidato que prefiro nem citar, porque é barra pesada.

Além das eleições formosenses, outra eleição que acompanho de perto é a eleição de *** (vou omitir o nome da cidade) interior da Bahia, cidade natal dos meus pais. Acho que *** deve ser uma das cidades mais politizadas do Brasil, toda vez que a visitamos, não importa a época do ano ou em que ano estamos, se é ano eleitoral ou não, a conversa que todas as rodas de amigos e familiares é quase sempre a mesma: a política municipal e em bem menor escala, a política federal.

Durante muitos anos *** teve um homem que mandava na política, saía prefeito, entrava prefeito, ele continuava lá, sempre como tesoureiro da prefeitura. Nem preciso dizer que esse homem é riquíssimo e que durante 20 anos praticou corrupção com as verbas municipais. Em 2000, o Hômi se candidatou a prefeito e ganhou. Fez uma péssima administração, nada fez pela cidade, seu patrimônio, no entanto, cresceu a olhos vistos. Para se ter uma idéia de quão péssima foi o mandato dele, ele nem conseguiu se reeleger, com a máquina administrativa na mão e tudo.

O comentário geral na cidade era: ele nunca deu nada p/ ninguém – e infelizmente, é assim que se faz política no interior do Brasil. Sei que muitos que me lerem vão dizer: é assim que se faz política no resto do Brasil também. Nem tanto, em cidades maiores, há mais controle, há oposição de verdade, há o Ministério Público em cima. Já no interiorzão, salvo raras e honradas exceções parece que só há um jeito de se fazer política: o deturpado “é dando que se recebe” ou o famoso “o quê que eu ganho com isso?”

Na eleição de 2004, o Hômi foi derrotado. Um rapaz corajoso aproveitou a ausência de foro privilegiado dele e o denunciou ao Ministério Público e ao TCU. Apesar de, como último ato do governo, ter comprado os vereadores, para aprovarem suas contas, o Hômi está pagando parte de seus desvios financeiros, com ressarcimentos mensais. Escapou por pouco de ser preso.

Entrou um novo prefeito, ex-aliado do derrotado e algumas coisas mudaram. Ele fez algumas obras, investiu os recursos federais repassados. Exigia nota fiscal das compras e despesas na prefeitura, motivado, provavelmente, pelo medo de também ser processado. Algo mudou na cidade, havia até um clima mais leve no ar.

Vieram as eleições de 2008, e tanto o atual prefeito quanto o anterior eram candidatos. Estive em *** em junho e a campanha estava a pleno vapor. A grande maioria dos eleitores parecia estar ao lado do atual prefeito. Na porta da casa do prefeito, uma multidão, na porta do anterior, quase ninguém. Até a véspera do pleito, eram favas contadas: o prefeito iria conseguir se eleger.

Só que, no dia da eleição, aconteceu algo inesperado: a virada. E porque isto se deu? Compra de votos. O comentário de quem mora lá é que o ex-prefeito que estava tentando voltar ao poder pagou R$ 30, veja bem, a módica quantia de trinta reais para quem quisesse vestir sua camiseta (boca de urna) e votar nele.

Infelizmente, pareceu o povo esqueceu o desastre que foi seu mandato anterior, a corrupção e outras histórias escabrosas que contam dele e vendeu seu voto por R$ 30. E infelizmente, para uma parte da população isso é dinheiro e motivo suficiente para eleger um corrupto. Depois dessa, quem disser que programas assistenciais são esmola, não deve conhecer a realidade da maioria da população brasileira.

Lila


Links

5 outubro, 2008

Poucos links, só para não passar batido:

Para aqueles que vivem reclamando que tudo no exterior é melhor, que nos EUA as pessoas participam mais das decisões políticas (rá!), que tudo é importado é melhor: Democracia American Style.

Explicando a crise americana, como uma anedota de buteco:
Explicando a crise americana

Gracinda, ex-manequim brasileira afirma ter sido vizinha e ter namorado o candidato a presidente do EUA, John Mccain A ex namorada brasileira do McCain

Os clichês presentes em quase todas novelas: Top 10 Clichês de novelas

Quando a vaidade ultrapassa todos os limites, matéria sobre excesso de cirurgias plásticas: As aparências não enganam

Acho que por hoje é só.

Lila


Engodo americano: Sarah Palin

22 setembro, 2008

Conforme o dicionário Houaiss, engodo é:

1 isca usada para atrair animais, esp. aves ou peixes; ceva
2 qualquer artifício utilizado para atrair alguém; chamariz
3 falsa atitude de lisonja, de adulação
4 qualquer tipo de cilada, manobra ou ardil que vise enganar, ludibriar outrem, induzindo-o a erro

Impressionante como todas as acepções servem para definir a candidatura de Sarah Palin à chapa presidencial dos Republicanos.

No post abaixo, transcrevi na íntegra matéria do El Pais sobre Palin. Nesse post meus comentários a trechos da matéria.

Ex-rainha de beleza, ultraconservadora com cinco filhos, aspecto de bibliotecária, voz de passarinho, credenciais acadêmicas medíocres e governadora de um estado exótico como o Alasca, se autodefine como uma “hockey mom” – uma mãe dedicada, das que levam os filhos às competições esportivas.

Ex-rainha de beleza: a descrição de Sarah Palin na matéria, começa focando o que, para muitos, é a qualidade essencial de toda e qualquer mulher: a beleza, afinal mulher só serve se for bela e jovem (menos de 40 anos, quando, para estes, acaba o prazo de validade da mulher) e excepcionalmente, mesmo quando não é jovem, ainda tem serventia se for “bem cuidada, conservada”.

Quantas vezes você viu matérias na mídia enfocando a beleza de determinada celebridade APESAR da idade: Xuxa, bela aos 42, Luiza Brunet, linda aos 45, Suzana Vieira, de biquini, ostenta corpão aos 63, etc, e a lista é imensa, praticamente não há matérias com mulheres acima de 40 anos e que “ainda” que estão na vida pública, que não tenha esse enfoque.

Ultraconservadora com cinco filhos Ainda não sou mãe, mas não acho que o simples fato de ela ser mãe de 5 filhos, a credencie para representar todas as mães norte americanas e nem que ela seja um espelho para a mulher média. Na minha opinião, não há dúvida nenhuma, sua figura é um acinte sim a todas as conquistas que as mulheres conseguiram em décadas de luta, aliás necessário dizer que as conquistas do movimento feminista se estendem a todas as mulheres mesmo às machistas e conservadoras.

As mulheres conservadoras não costumam se identificar como feministas, movimento que muitas vezes desprezaram. Mas as defensoras da governadora não só não recusam o termo como tentam apropriar-se dele. Afirmam que ela encarna um novo feminismo, melhor. O das mulheres fortes e capazes de tudo, independentemente de suas crenças. A própria Palin é membro de uma associação contra o aborto chamada Feministas pela Vida. Para o movimento feminista herdeiro dos anos 1970, seja qual for sua ramificação, um feminismo antiaborto é simplesmente um paradoxo.

Sua autoproclamação como representante de todas as mulheres foi contestada furiosamente. Gloria Steinem, conhecida feminista seguidora de Clinton, publicou uma crítica feroz à candidata republicana no “Los Angeles Times” na qual afirmou que “a única coisa que Palin tem em comum com Hillary Clinton é um cromossomo”. “Feminismo não significa que uma mulher concreta encontre um trabalho”, prosseguiu. “É sobre tornar mais justa a vida das mulheres de todos os lugares. Palin se opõe a quase tudo o que Clinton defendia, enquanto Barack Obama ainda o defende.” E concluiu salientando que protestar pela derrota de Clinton votando em McCain e Palin “seria como dizer ‘alguém roubou meus sapatos, por isso vou amputar minhas pernas'”.

E não, não acho MESMO que é bom uma mulher no comando do país mais rico e influente do planeta, seja quais forem suas convicções. Concordo com a Gloria Steinem, para mim, seria a mesma coisa de o Celso Pitta (sabiadamente corrupto e péssimo administrador, cria do Maluf) candidatar-se à presidência do Brasil e o argumento para se votar nele seja: “O Brasil nunca teve um presidente negro, logo vamos votar em Celso Pitta”. Não sou racista mas não acho que válido votar em Obama só porque ele é negro, tem que se ver as propostas de cada um e se demonstram ter competência para governar.

Pensei numa coisa genial: se os americanos se acham mesmo donos do planeta, se afirmam que sua missão é levar o capitalismo e a democracia à todas as nações do mundo, deveríamos também ter o direito de votar em suas eleições presidenciais, quem sabe assim se evitaram fraudes como as coações que impedem os negros votarem, fraudes como a eleição de George W. Bush e a cara de pau da Sra. Palin em ser contra todos os direitos que o Feminismo conquistou e ainda assim se autodenominar feminista.

Antes que me interpretem mal, claro que é sarcasmo querer que o resto do mundo possa votar na eleição americana, porque assim como defendo a soberania brasileira ou iraquiana ou boliviana, não faria sentido querer se intrometer nas decisões internas do povo norte-americano, mas que dá vontade que isso aconteça, ah isso dá.

Felizmente, parece que o “furacão” Palin não dá mostras de querer decolar, veja nesse link do blog O biscoito fino e a massa : Mulheres preferem Obama (aliás que mania horrorosa de denominar mulheres fortes ou que se destacam por fenômenos da natureza, aff).

A usurpação de uma imagem feminista por Sarah Palin seria cômica – pelo ridículo da situação- se não fosse trágica – porque tem muito gente mal informada ou mal intencionada vendendo o engodo como verdade.

Lila


Sarah Palin encarna um novo feminismo, dizem eleitoras

22 setembro, 2008

Gostaria de escrever bem mais aqui, de ter atualizações todos os dias, mas tô numa correria de concurseira e tá difícil. Hoje vou transcrever um matéria do El Pais sobre a Palin, que saiu no UOL e era restrito para assinantes, mas acho que tem que ser divulgada, por isso coloco-a na íntegra. Depois posto os meus comentários sobre a matéria.

El Pais: Sarah Palin encarna um novo feminismo, dizem eleitoras

A candidata à vice-presidência dos EUA anima o debate sobre os valores que as mulheres devem defender na política

Mónica C. Belaza
Em Washington

“Você é como nós”, gritam as fãs de Sarah Palin nos comícios, enquanto seguram o batom no alto como se fosse um isqueiro em um concerto. A candidata republicana à vice-presidência dos EUA não se parece com outras mulheres que chegaram a posições de poder. Ex-rainha de beleza, ultraconservadora com cinco filhos, aspecto de bibliotecária, voz de passarinho, credenciais acadêmicas medíocres e governadora de um estado exótico como o Alasca, se autodefine como uma “hockey mom” – uma mãe dedicada, das que levam os filhos às competições esportivas.

Mulheres seguram batons durante comício de Sarah Palin, em Golden, no Colorado

É um espelho no qual a mulher média pode se refletir. Mas é contra postulados básicos do feminismo, como o aborto, inclusive no caso de violação e incesto. É bom que uma mulher alcance um dos cargos mais poderosos do planeta, sejam quais forem suas convicções? O debate está em brasa. Não há acordo sobre se sua figura é um insulto à essência do feminismo ou uma inspiração grandiosa.

Palin, 44 anos, é a segunda mulher que surge nesta campanha presidencial. Hillary Clinton foi derrotada nas primárias democratas, mas conseguiu 18 milhões de votos, um êxito sem precedentes. Quando Palin entrou em cena – como golpe de efeito necessário para revitalizar a preguiçosa candidatura republicana -, colocou-se imediatamente como herdeira natural de Clinton, apesar de que durante as primárias a tivesse qualificado de “chorona” por falar de sexismo. Agora a elogia enquanto se nomeia a encarregada de quebrar “de uma vez por todas” o telhado de vidro, a barreira invisível que, segundo as teorias de gênero, impede que as mulheres alcancem os postos de maior responsabilidade.

As mulheres conservadoras não costumam se identificar como feministas, movimento que muitas vezes desprezaram. Mas as defensoras da governadora não só não recusam o termo como tentam apropriar-se dele. Afirmam que ela encarna um novo feminismo, melhor. O das mulheres fortes e capazes de tudo, independentemente de suas crenças. A própria Palin é membro de uma associação contra o aborto chamada Feministas pela Vida. Para o movimento feminista herdeiro dos anos 1970, seja qual for sua ramificação, um feminismo antiaborto é simplesmente um paradoxo.

Sua autoproclamação como representante de todas as mulheres foi contestada furiosamente. Gloria Steinem, conhecida feminista seguidora de Clinton, publicou uma crítica feroz à candidata republicana no “Los Angeles Times” na qual afirmou que “a única coisa que Palin tem em comum com Hillary Clinton é um cromossomo”. “Feminismo não significa que uma mulher concreta encontre um trabalho”, prosseguiu. “É sobre tornar mais justa a vida das mulheres de todos os lugares. Palin se opõe a quase tudo o que Clinton defendia, enquanto Barack Obama ainda o defende.” E concluiu salientando que protestar pela derrota de Clinton votando em McCain e Palin “seria como dizer ‘alguém roubou meus sapatos, por isso vou amputar minhas pernas'”.

Steinem não foi a única a reagir. Um bom número de feministas está há duas semanas se pronunciando contra Palin. Criticam várias questões. A primeira, a própria natureza da nomeação da governadora, com pouca experiência. Afirmam que é uma falta de respeito pensar que, necessariamente, as mulheres vão votar em outra mulher. Em segundo lugar, dizem que o feminismo não é qualquer coisa, mas um movimento que defende certos princípios – como o direito ao aborto, a educação sexual ou a igualdade de direitos para todos, incluindo os homossexuais – e que o conservadorismo religioso e extremo de Palin impede que possa ser qualificada como tal. E finalmente algumas indicam que sua forma de vida, empenhando-se no trabalho como foi concebido pelos homens e renunciando inclusive às licenças-maternidade – voltou ao emprego apenas três dias depois do nascimento de seu bebê com síndrome de Down -, não tem nada a ver com o que elas reivindicam.

Mas entre as que se consideram feministas tradicionais surgiram algumas vozes discrepantes em blogs e jornais. Mulheres defensoras do aborto e da educação sexual afirmam que, embora Palin tenha idéias contrárias às suas em alguns pontos, o importante é que uma mulher chegue a um cargo tão alto quanto a vice-presidência dos EUA. Por vários motivos: pela visibilidade, porque será um modelo para as novas gerações e porque, mesmo que seja conservadora, é uma mãe trabalhadora que conhece os problemas das mulheres para conciliar trabalho e família.

A esta última teoria se somaram algumas seguidoras de Hillary Clinton. Nayeli Salvaraj tem 30 anos, uma filha e vive no norte da Virgínia. Em todas as eleições até agora votou no Partido Democrata. “Sou a favor do aborto, mas não é o centro da minha vida. Eu quero que uma mulher chegue à Casa Branca e meu partido falhou em relação a Hillary Clinton quando não a nomeou vice-presidente. Foi sexista. Por isso votarei nos republicanos pela primeira vez, em Sarah Palin.”

Na rua, a maioria das mulheres não entende de teorias feministas nem parece se importar se pode catalogar Palin como tal. Suas defensoras dizem que, feminista ou não, ela é forte, inteligente e exemplar. Sobretudo é uma mulher que se parece com elas. E querem que ela chegue ao poder. O batom se transformou em uma espécie de grito de guerra, um símbolo de identidade. “É como se eu pudesse mandar na Casa Branca”, disse Shirley Honcock, 67 anos, em um comício de McCain e Palin em Fairfax (Virgínia). “Ela fará as coisas que eu gostaria de fazer.”

É uma idéia repetida. Diante de um Barack Obama inteligente demais, com um passado estranho e que estudou em boas universidades, se situou uma mãe comum não muito instruída, mas com muito empenho. Nas cidades de subúrbio com residências unifamiliares, veículos todo-terreno e shopping centers, muitas chegaram à conclusão de que a melhor qualidade para dirigir o país é o senso comum de qualquer mãe de família. “Se não é isso que as feministas querem, não entendo nada”, diz uma mãe que se define como republicana, enquanto faz compras em um K-Mart da Virgínia com seus trigêmeos de 6 anos. O rosto de Sarah Palin ocupa as capas das revistas do supermercado. “É uma revolução. Uma mulher tradicional que decidiu mandar.”


Veja critica “ideologia” de professores de História e Geografia

10 setembro, 2008

A nefasta revista Veja (ou seria Zóia?) do dia 20/08/2008, em mais um ato de desserviço e desinformação publicou uma matéria totalmente parcial e ofensiva aos professores brasileiros de História e Geografia. É público e notório que o tal semanário de extrema direita não se conforma com a eleição e reeleição de um presidente de esquerda, com ampla maioria de votos, mais de 50 milhões. Além do que, é claro que essa revolta toda não é de graça, a Editora Abril – que publica a Zóia – perdeu, no governo Lula, licitações para distribuição de livros didáticos e com isso muito deixou de ganhar muito dinheiro.

Felizmente, ao contrário do que a Zóia prega, temos bons professores dessas disciplinas, e um deles, o professor de Geografia Marcelo Coelho resolveu se manisfestar em carta aberta, sobre os absurdos cometidos na tal matéria. O texto, apesar de bem escrito, e respondendo no mesmo tom às provocações da revista, é bem longo para se por na íntegra em um blog.

Quem quiser lê-lo na íntegra, clique aqui e acesse ao blog do professor Marcelo.

“Veja publicou (20 de agosto de 2008) uma matéria, assinada pelas jornalistas (pelo menos acredito que sejam) Monica Weinberg e Camila Pereira, inacreditável sobre o ensino no Brasil. A matéria parecia querer discutir os problemas do ensino em função dos maus resultados de alunos brasileiros se comparados com outros no mundo afora (comparações sempre muito polêmicas), mas na realidade a matéria é uma crítica a suposta ideologização do ensino por professores e autores de livros didáticos. A reportagem concluiu que esse rendimento de nossos alunos é resultado de uma doutrinação comunista-esquerdista que temos em nossas escolas. Isso é um absurdo! É uma reportagem elitista, autoritária (pois não dá direito de resposta), arrogante e agressiva…

Um dos momentos mais tristes pra mim na leitura dessa reportagem foi a citação desrespeitosa, injusta, ignorante e covarde em relação ao educador brasileiro (já falecido) Paulo Freire. Reparem no que Veja fala do educador brasileiro: … “ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização”. Meu Deus! É um comentário absurdo e uma total falta de respeito. Paulo Freire foi um cidadão que lutou sua vida toda pela democracia (foi perseguido pela ditadura no Brasil) e pelas injustiças sociais, tinha uma visão humanista da educação. Publicou cerca de 40 livros sobre educação, grande parte, traduzidos em várias línguas, inclusive o hebraico. Foi convidado para ser professor visitante da Universidade de Harvard em 1969…

A reportagem é baseada numa pesquisa encomendada por VEJA à CNT/Sensus, evidente que a revista não divulga toda a pesquisa, mas apenas aquilo que é de seu interesse… Para cerca de 70% dos professores, a principal função da escola é “formar cidadãos” (como fiquei feliz com essa resposta!). As jornalistas consideram isso um absurdo, uma demonstração clara da ideologização do ensino, considerando isso uma evidência da doutrinação nas escolas.
Meu Deus! Elas precisam ser chamadas para o Ministério da Educação no Brasil ou para a direção das escolas de pedagogia de universidades brasileiras. A resposta dos professores é absolutamente perfeita. “Formar cidadãos” é discutir conteúdos, é incentivar o raciocínio, é discutir valores, é despertar para seus direitos e deveres, é construir solidariedade, é preparar para o mercado de trabalho, é desenvolver uma visão crítica da sociedade, enfim, “formar cidadãos” senhoras jornalistas é formar seres humanos que não se vendam profissionalmente para um meio de comunicação, produzindo um texto preconceituoso, desrespeitoso, arrogante e, sobretudo, cheio de argumentos falsos…

Preciso comentar sobre os absurdos das analises feitas pelas jornalistas (segundo elas, consultando especialistas) em relação a livros-apostilas APENAS de história e geografia (só tem um livro de português, mas que a analise é sobre uma questão histórica). São comentários grosseiros (usando expressões como “tolice” e “falsificação”), desrespeitosos, equivocados em quase todos os casos e alguns sem o mínimo de necessidade. Além disso, são trechos de livros retirados de um contexto, logo é muito complicado analisar dessa maneira. Abaixo mostro alguns desses comentários (são quase 40 no total). Primeiro o trecho do livro, depois o comentário de Veja e por fim o meu comentário.

1) Apostila de História do Objetivo: ‘O mapa que mostra a rota da Coluna Prestes inclui o estado do Tocantins’. Comentário de Veja: o estado do Tocantins só foi criado em 1988. Marcelo Coelho: Meu Deus! Que erro da apostila, foi um erro tão impressionante que tenho medo dos alunos perderem a competição externa com outros alunos! Algumas perguntas que não querem calar: Veja comete erros em suas edições? As jornalistas já cometeram erros em reportagens? Será que o autor não fez isso exatamente para melhor compreensão dos alunos? Ele foi consultado desse suposto erro?

2) Livro Geografia do Brasil da Ed. Moderna: ‘Basta apertar um botão, via internet, para desvalorizar a moeda e ocasionar desequilíbrios financeiros e instabilidade política em certo país(…)’  Veja: Simplificação tola produzida por má-fé e desconhecimento do funcionamento básico dos mercados internacionais de moeda’. Marcelo Coelho: Qual é o erro do autor? Em que situação ele doutrina um aluno falando isso? Será que nenhum economista concorda com essa tese levantada pelo autor? A crise asiática de 1997-98 não foi provocada, entre outros fatores, pela fuga de capitais especulativos? O texto do autor não é tolo e nem de má-fé, Marco Amorim Coelho é um autor sério e tradicional de livros didáticos de geografia, é uma descortesia dessas jornalistas duvidarem do caráter do autor. Reparem o texto na íntegra do livro: ‘Os capitais especulativos são investidos nos mercados financeiros de todo o planeta e podem sair do país de uma hora para outra, por influência de acontecimentos políticos, de especulação e até de boatos. Os diferentes espaços do planeta encontram-se interligados por uma rede informacional constituindo uma cibereconomia. Basta apertar um botão, via internet, para desvalorizar a moeda e ocasionar desequilíbrios financeiros e instabilidade política em certo país, com lucros para alguns e prejuízos consideráveis para outros’. Reparam a maldade de tirar um trecho de um texto, saindo totalmente do contexto. No que o autor está errado nesse texto?

3) Apostila de Geografia do COC: ‘Embora os robôs tenham trazido grande contribuição para o desenvolvimento industrial, o avanço da tecnologia contribuiu para o aumento do desemprego (estrutural) mundial’. Veja: o avanço da robótica resultou em mais e melhores empregos no médio prazo. O desemprego só é prevalente no mundo atualmente em países de baixa inserção tecnológica. Marcelo Coelho: Absurdo total! Existe hoje grande debate sobre os efeitos da automação e robotização no processo produtivo, muitos afirmam ser um processo redutor de empregos, mas também do surgimento de novos tipos de emprego, o problema está em mensurar esse efeito. Por isso, o autor não comete erro nenhum, pelo contrário, passa uma visão plenamente aceita como gabarito dos principais vestibulares do país. Existem países europeus com taxas de quase 20% da população desempregada e o Brasil apresenta uma taxa de aproximadamente 10%.

4) Livro Das Cavernas ao Terceiro Milênio da Ed. Moderna: ‘Em setembro de 1973, após três anos de desgaste minuciosamente orquestrado pela direita chilena – com assessoria internacional -, uma quartelada depôs Alende, que foi executado pelos golpistas’. Veja: O presidente Allende foi mesmo deposto por generais golpistas com a ajuda material e estratégica da CIA, mas desgastou-se pela própria incompetência e não foi assassinado. Suicidou-se. Marcelo Coelho: Talvez o pior de todos os comentários de Veja, pela incoerência e erros históricos. As jornalistas ou os especialistas consultados pelas jornalistas concordam com o envolvimento dos EUA-CIA, mas apenas consideram a incompetência do governo democrático de Allende fator para ter provocado sua queda. Essa visão é ideológica? Lógico que é. O autor relata uma visão de inúmeros de historiadores renomados no Brasil, é só consultar alguns livros universitários, alguns chegam a afirmar sobre o grande apoio popular, sobretudo, dos menos favorecidos, que Allende tinha momentos antes do golpe. Queridas jornalistas, atualmente, muitos especialistas afirmam que Allende foi realmente ASSASSINADO.

5) Livro História da Ed. Moderna: ‘Muitos agricultores e vaqueiros seguiram o Conselheiro para fugir da exploração e da miséria a que estavam submetidos pelos fazendeiros da região (…) Nessa comunidade (Canudos)o trabalho e a produção eram divididos igualmente. Não havia cobrança de impostos e nem polícia’. Veja: Euclides da Cunha, em Os Sertões, relata que Antônio Conselheiro era um psicopata, que atraiu com sua pregação mística um exército de gente ínfima e suspeita, avessa ao trabalho. Marcelo Coelho: Outra pérola dos comentários de Veja. Analise superficial, tendenciosa, elitista e atrasada. Afinal quem está certo Euclides ou centenas de historiadores que classificam Canudos como um importante movimento social brasileiro? Veja, tão moderna, utilizou uma visão ultrapassada desse movimento, uma visão dos governantes da República Velha, mais um erro de atualização histórica. Além disso, existe um erro literário, eu diria até proposital. Em Os Sertões, Euclides da Cunha reconheceu posteriormente (o final da obra) que teve uma visão elitista de Canudos, mudou de idéia quando foi pessoalmente ao interior da Bahia. Faltou consultar uma especialista em literatura.

6) Livro Projeto Radix de história da Ed. Scipione: ‘As políticas neoliberais agravaram as desigualdades econômicas e sociais em todo o mundo’. Veja: Falsificação. As políticas neoliberais tiraram quase 400 milhões de chineses da miséria. No Brasil e no Chilhe, criaram um classe média majoritária. Marcelo Coelho: Um absurdo, ou melhor, inúmeras falsificações como as jornalistas gostam de dizer. A China não tem nada nada nada nada de neoliberal, é no mínimo não conhecer a realidade chinesa. Mesmo com as reforma de Deng Xiaoping em 1978, o governo chinês tem feito reformas econômicas com forte presença do Estado em vários segmentos produtivos e sociais do país. A desigualdade social na China é crescente, o IDH chinês é pior do que do Brasil. Achei lindo ver a Veja defendendo o modelo político ditatorial Chinês. Talvez essa seja a grande diferença entre o modelo chinês e o de Hugo Chavez na Venezuela, o primeiro satisfaz as necessidades políticos-econô micas capitalistas, já o segundo segue em oposição. Parabéns a Veja, forte defesa de uma brutal DITADURA como a China. Que incoerência!

7) Livro Construindo a Geografia da Ed. Moderna: ‘Por meio da televisão, as empresas transformam as unidades familiares em consumidoras de seus produtos e estabelecem padrões de comportamento’. Veja: Os espectadores são reduzidos a seres desprovidos de vida inteligente. Marcelo Coelho: Meu Deus! Que comentário ridículo, sem o menor fundamento, sem nenhuma contestação ao trecho escrito pelo autor. É de conhecimento, até de um mineral, que há uma brutal influência da TV no padrão de consumo das sociedades. Por que as empresas pagam fortunas por propagandas nas TVs? Já sei, deve ser para divertir o cliente. Que fofo!

8.) Livro Geografia, Ensino Médio da Ed. Ática: ‘Sem dúvida, a chamada sociedade de consumo, na qual, para ser feliz, não basta consumir o necessário, mas, se possível, também o supérfluo, acabou por conferir às relações do homem com o meio ambiente um caráter extremamente agressivo’. Veja: O autor poderia esclarecer primeiro qual sociedade não é de consumo. A comunista? Nenhum regime conseguiu poluir mais a terra, água e o ar do que o comunista. Marcelo Coelho: Meu Deus! (é uma das piores, sem dúvida) O autor está absolutamente correto, fico com medo de meus alunos acreditarem em Veja, pois assim vão errar no vestibular. Todas as universidades em seus vestibulares concordam com essa tese. Todas! Leonardo Boff (um louco esquerdistas ultrapassado para Veja e suas imparciais jornalistas, com certeza) já disse: Coloca-se assim uma bifurcação: ou o capitalismo triunfa ao ocupar todos os espaços como pretende e então acaba com a ecologia e assim põe em risco o sistema-Terra ou triunfa a ecologia e destrói o capitalismo, ou o submete a tais transformações e reconversões que não possa mais ser reconhecível como tal’.

Olha a pergunta da prova de Geografia da UFRJ em 2005: Relacione o agravamento dos problemas ambientais globais com as tendências de expansão dos padrões de consumo dos países ricos para o resto do mundo. Agora reparem o gabarito da UFRJ: Os padrões de consumo dos países ricos estão baseados no uso intensivo de fontes não renováveis de energia, na baixa eficiência dos processos de aproveitamento dos recursos naturais e na redução indiscriminada da diversidade biológica. Tais padrões, se adotados pela maioria da população do planeta, podem agravar os problemas ambientais devido ao aumento de emissões dos gases de estufa, e à poluição e contaminação do ar, da água e do solo pelos resíduos resultantes do uso ineficaz dos recursos naturais. A UFRJ deve ser comunista!

9) Projeto de Ensino de Geografia da Ed. Moderna: “A globalização reproduz e aprofunda as antigas desigualdades sociais: parcela significativa da população mundial é excluída do consumo de bens e serviços essenciais”. Veja: Parcela significativa da população mundial sempre esteve excluída do consumo de bens e serviços essenciais. A globalização do sistema capitalista de economia de mercado aliada à democratização burguesa diminuiu o número de pobres no mundo de 56% da população para 23%. Marcelo Coelho: Demétrio Magnoli, o autor do livro, já foi entrevistado por Veja algumas vezes. Talvez a revista pudesse escolher melhor esses entrevistados. As jornalistas confundem pobreza com desigualdade social. O Peru é um país, em termos socioeconômicos, muito mais pobre que o Brasil, mas nós temos uma desigualdade social maior. Em 1960, a diferença econômica entre as nações mais ricas do planeta (cerca de 20%) e as mais pobres (cerca de 20%) era de 30 vezes, atualmente esse valor ultrapassa 70 vezes. As jornalistas devem tomar cuidados com dados utilizados, pois O GLOBO (16.11.2007) noticiou recentemente que a pobreza na América Latina diminuiu em 2006 e que os principais países responsáveis por esse processo foram Brasil (da besta Lula, adjetivo utilizado por Diogo Mainardi, colunista de Veja), Argentina e Venezuela (do ditador, corrupto, feio, chato, nojento, bobo Hugo Chavez).

10) Livro Geografia da Ed. Quinteto Editorial: “Os meios de comunicação de massa são formadores de opinião, que divulgam apenas idéias de seu interesse”. Veja: O autor está em boa companhia. Foi exatamente essa a justificativa dada pelo ditador Fidel Castro ao fechar os jornais em Cuba e lançar o órgão monopolista oficial de “formação política”, o diário Granma. Marcelo Coelho: As jornalistas fugiram do assunto. A questão cubana não era o foco de discussão do autor. Em qualquer sociedade, os meios de comunicação de massa, sejam estatais ou privados são formadores de opinião sim, assim como professores, pais e padres, entre outros. Cabe ao cidadão ser capaz de ter um senso crítico sobre aquilo que está ouvindo e/ou vendo. Os meios de comunicação, de um modo geral, refletem o interesse de seus patrocinadores, isso é mais claro do que água ou as jornalistas acham que vamos acreditar na imparcialidade da imprensa. Parabéns ao autor do livro.

Prestem atenção para esse texto, acho bem interessante para essa polêmica: “O que é capitalismo? É o sistema econômico e social caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção, pelo trabalho assalariado, pela acumulação de capital e pelo foco primordial no lucro”. Que texto absurdamente parcial! Deve ser de alguma cartilha (termo usado pejorativamente pelas jornalistas para se referir a livros e apostilas) comunista. Talvez um panfleto do PSTU ou do PSOL. Não, caros amigos e queridas jornalistas, esse texto é de uma publicação da Editora Abril (a mesma da Veja). Acreditem! É uma publicação voltada para vestibulandos: História Vestibular (edição 2008, página 52). Que vergonha Editora Abril! Doutrinando os alunos? Por fim, gostaria de esclarecer que meu texto é parcial, pois não sou mau caráter de não reconhecer uma conclusão óbvia.

Mas o texto de Veja não, esse é uma total imparcialidade (uma revista que pauta por isso realmente, vide a capa de uma edição de Veja de 1988, onde o ex-presidente Fernando Collor é apresentado ao povo como Caçador de Marajás, isso que é imparcialidade). O importante é ter caráter para assumir uma posição, contanto que ela não passe informações equivocadas e que não prejudique o outro. Desculpem meus queridos e freqüentes leitores, mas usei muito do deboche e da agressividade como forma de responder no mesmo tom o texto simplista e vulgar dessas jornalistas. Por que vender a dignidade profissional dessa maneira?
É um carnaval de generalização de fatos, de agressões morais fora do contexto (estou indignado como o caso de Paulo Freire), de acusações sem conhecer a pessoa, onde não há nenhum espaço para resposta dos autores. Uma arrogância descomunal, sem propósito, ofensiva.

São inúmeras páginas onde poderíamos discutir assuntos importantes, inclusive as dificuldades de atualização dos professores, a deficiência da infra-estrutura escolar e os próprios erros de livros e apostilas, mas erros de conteúdo realmente, não supostas polêmicas e em todas as matérias. Por último, queria convidar as jornalistas da reportagem para assumirem a elaboração de livros de história e geografia e de ministrarem aulas em colégios, cursos e universidades desse país. Mas lembrem-se, os livros e as aulas devem respeitar a neutralidade em relação aos conteúdos apresentados. Duvido.
Me ajudem a divulgar esse texto, reproduzam pela internet. Por favor!”
Professor Marcelo Coelho
Geografia

– Minha mãe é historiadora e eu quase fiz graduação em História, lembro-me que comentávamos o quanto os livros didáticos antes utilizados eram tendenciosos, a meu ver houve uma melhora.

Concordo com a jornalista Paula do blog Palimpsesto, a matéria só faltou falar que os professores comem criancinhas.

Lila