Crítica: Hairspray 88 X Hairspray 2007


Sinopse do filme pelo site Cine Pop: O ano é 1962 – os anos 50 já acabaram e a mudança está no ar. O sonho de todo adolescente da época é aparecer no “The Corny Collins Show”, o programa de dança mais famoso da TV. A jovem Tracy Turnblad, uma grande garota com um grande cabelo e um coração maior ainda, tem só uma paixão na vida: dançar. Mesmo sendo um tanto gordinha para os padrões locais, ela impressiona os juízes com seu estilo e ganha um espaço na atração.

Inspirada pelo Rapaduracast 94, cujo tema foi musicais, resolvi assistir aos musicais que ainda não tinha visto e decidi começar por Hairspray. Queria assistir só à versão citada por eles, a de 2007, mas o 1º arquivo que consegui era da versão de 88, resolvi assistir assim mesmo.

A adolescente Tracy gosta de armar seu cabelo com várias borrifadas de spray, e isso leva a professora a expulsá-la da sala de aula e dar-lhe um castigo: enviá-la para a educação especial. Ela diz: “não quero ir para a educação especial, é para deficientes e negros.” Na “detenção”, só ela é branca, todos os outros alunos são negros. Ocorre que ao ir para a chamada “detenção” ela fica amiga de um rapaz negro, aprende passos de dança com ele e acaba entendendo que há mais afinidades que diferenças entre eles.

Engraçado perceber que se hoje a moda é ter cabelo liso e com pouco volume – mesmo à custa de processos químicos que levam formol na fórmula – houve um tempo em que a moda era ter cabelos armados ou ondulados. Parece que essa tendência de cabelos ondulados está voltando. Só sei que o meu cabelo vai ficar natural e ondulado, cansei das escovas progressivas e do estrago que elas causam.

Em 1962, ainda havia segregação nos EUA, brancos e negros não frequentavam as mesmas salas de aula, não usavam os mesmos ônibus, não podiam parecer juntos em programas de TV, não podiam dançar juntos e muito menos namorar – havia uma lei que proibia o casamento interracial, que só foi revogada em 1967 – e havia até bairros só para brancos ou negros (isso ainda não mudou muito).

No Hairspray 2007 há um belo número de dança dos amigos negros de Tracy dentro um ônibus escolar, juntos com os alunos brancos. É uma bela cena, mas totalmente irreal p/ o contexto histórico, já que em 1960 nos EUA, havia muita segregação e brancos e negros não dividiriam o mesmo ônibus.

Após a escola, todos os dias Tracy assiste o programa de Corny Collins, o que sua mãe não aprova. No filme de 88, um dia Tracy fica sabendo que a emissora está fazendo seleção para uma nova dançarina, e resolve ir escondida de seus pais, diz que vai à biblioteca.

No Hairspray 2007, Tracy pede autorização dos seus pais para ir à seleção. Após sua mãe negar, dizendo que a televisão não estava preparada para exibir pessoas gordas, seu pai resolve incentivá-la dizendo aquele blablabla que ela tem que lutar pelos seus sonhos. Lembrando que no filme anterior Tracy simplesmente vai escondida, eu pergunto: cadê a rebeldia adolescente?

Ela encanta os jurados com seu talento e carisma e consegue a vaga. No programa havia a noite do negro, um único dia ao mês em que os negros eram permitidos a dançar, só os negros, não havia, como já disse, interação com os brancos.

No filme de 1988, o ator Divine faz os papéis de mãe da Tracy e de diretor da rede de TV que transmite o “The Corny Collins Show.” A mãe da Tracy, que é obesa, toma remédios para emagrecer e acha que todos irão julgá-la por seu corpo. Já o diretor de TV, que é um homem poderoso, não é julgado pelo seu porte físico, já que a sociedade não costuma julgar o caráter e a competência de um homem por sua aparência.

No filme de 2007 John Travolta faz o papel de mãe da Tracy, Edna Turnblad. Já o papel de diretora do programa fica a cargo de Michelle Pfeiffer. Sinceramente não entendi, se mudaram o papel do diretor, poderiam ter colocado uma mulher de verdade para fazer a mãe da Tracy e não um homem vestido de mulher, com muita maquiagem e quilos de roupas para parecer gorda – as roupas e o enchimento dele pesava 13 Kg segundo o site Adoro Cinema.

No filme de 88, a melhor amiga de Tracy, Penny – que é branca – começa a namorar o Seaweed, amigo delas negro, e é namoro de verdade, com vários encontros, beijos e amassos, afinal eles são adolescentes e os hormônios estão à flor da pele.

No filme de 2007 Penny e Seaweed só tem o 1º beijo após 1h20 de filme, que tem 2h de duração . Sinceramente achei que esse beijo nem ia rolar, o Hairspray 88 só tem 1h30 de duração e nesse tempo mostra um verdadeiro relacionamento interracial, e não uma paquerinha bobinha.

Se me lembro bem, no Hairspray 88 após mais uma tentativa frustada por parte de Tracy, Link (namorado de Tracy) e seus amigos de fazer um programa com integração racial, ela foge p/ o bairro deles. Aí que Penny e Seaweed começam a namorar. No Hairspray 2007 Tracy pede autorização da mãe p/ ir lá. Cadê a rebeldia adolescente?

No Hairspray 88 Tracy e seus amigos resolvem pressionar a emissora de TV a promover uma verdadeira interação. Já no Hairspray 2007, eles precisam de um pretexto p/ protestar: a diretora da TV resolve acabar com o Dia do Negro. No primeiro filme vários brancos e negros protestam, já no segundo apenas Tracy acompanha a passeata dos negros – a cena mais bonita do filme, por sinal.

E tem mais: no Hairspray 88 Tracy, que é gorda, namora com Link, um dançarino magrinho e famoso, o galã do programa. No remake, a atriz que faz Tracy é bem mais magra que a primeira e o beijo entre sua personagem e Link, só acontece no final do filme. A personagem dela fica o tempo todo repetindo que estamos na década de 60, que os tempos mudaram, que os que não se enquadram nos padrões de beleza da sociedade – gordos e negros – vão ser aceitos, mas não é bem isso que ocorre. O final do segundo filme mais parece um prêmio de consolação p/ os “diferentes”, não é algo que foi conquistado por eles, como no primeiro filme.

Pode um filme realizado em 2007 ser mais conservador que o original feito em 1988? Se o filme for Hairspray, a resposta é sim!
Vou parar por aqui que este post já está enooorme.
Vamos tentar postar sempre de 2 em 2 dias, vamos ver se conseguimos.

Lila

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One Response to Crítica: Hairspray 88 X Hairspray 2007

  1. Thiago Amorim disse:

    Não tive a oportunidade de assistir a versão dos anos 80, mas adorei o filme de 2007.
    Nossa, eu sentia vontade de dançar o tempo todo.
    O filme é fantástico, mas concordo que há um pouco de “ilusão” nele. O contexto histórico não permitiria tais coisas nos anos 60.
    Grande abraço!!

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