Lost: Something nice back home [S04E10]

8 05 2008

Lost, Lost, Lost. Esse é nosso grito de guerra toda quinta e sexta feira. A ansiedade começa na quinta, quando o Paul Torrent nos envia o episódio, que assistimos legendado na sexta.
Discordo de quem disse, que este foi um episódio para mulherzinha e que foi o pior da temporada, discordo também de quem diz que o Eggtown foi o pior.

Para mim, o pior foi o da Juliet, The other woman, flashbacks desnecessários sobre Juliet, Ben e Goodwin. Só se salvou mesmo, como sempre, a atuação do Ben, quando mostra a Juliet o corpo de seu amante. Nem a descoberta da estação Tempest me empolgou, fora o clichezão de o Faraday só conseguir neutralizar o gás no último segundo, AFF.
Vamos às minhas considerações sobre o Something nice back home:

1) Foi um episódio sobre relacionamentos, Juliet, Jack e Kate no melhor estilo do poema de Drummond: Juliet que ama Jack, Jack que ama Kate, Kate que ama Jack e Saywer (espertaaaa hehe), ainda tivemos Sun e Jin, o amor platônico de Charlotte e Faraday e até a volta do nosso casal codjuvante favorito Rose e Bernard.

2) Rose levantou uma bola muita boa quando diz a Bernard: “Por que o Jack ficou doente?” Afinal, como ela mesmo disse, ali as pessoas não ficam doentes, na Ilha, elas se curam. Bem, como não leio spoilers, só posso supor que a Ilha seria um organismo vivo, que teria, por assim dizer uma espécie de “consciência”, de “vontade própria”. Porque, se ali as pessoas se curam, qual seria a origem do tumor do Ben? A ilha quis que ele ficasse doente, foi uma punição por algo errado que fez, que estava fazendo naquele momento?

3) E a Charlotte, hein? Fala coreano, quem diria. Há aí algum indício de relação com o Mr. Paik, o pai da Sun? Espero que sim, seria muito legal se o mafioso coreano tivesse alguma ligação com o Widmore e essa história toda da Dharma.

4) Após o flashfuture do Ben, em que soubemos que se passava em outubro de 2005, também no flashfoward de Jack temos pistas sobre a época no futuro, pela notícia no jornal, tudo indica que se trata de agosto de 2007. Como cheguei a essa data? Acessem o blog parceiro “Teorias Lost” e comprovem.

5) Sim, já sabíamos que Jack, em seus relacionamentos amorosos é ciumento, possessivo e inseguro, O que não sabíamos, como bem disse o Carlos Alexandre do blog Lost in Lost no seu “Podcast 61″. O que não sabíamos era que Kate e Jack estariam, aparentemente, pouco tempo depois de Eggtown, quase casados. Eu, sinceramente, me supreendi, achei que só veria isso no final da série.

Infelizmente, a felicidade dura pouco, pois o alcoolismo, a desconfiança e o ciúme possessivo de Jack acabam por levar a relação ao fim. Inclusive, é mais um bom motivo para que Kate não queira, no final da 3ª temporada, voltar com Jack para a Ilha, além da condicional, de não poder sair do estado e consequentemente dos EUA, por 10 anos e correr o risco de perder o Aaron, a reação dela é do tipo “não vou a lugar nenhum com você”, coisa de gente magoada.

6) Que ar sombrio na visita de Jack a Hurley. O Dude está muito deprimido e se recusa a tomar remédios. Agora sabemos que ele mantém contato direto com Charlie e diz a Jack que Charlie teria um recado; “você não deve criá-lo.” É, Jack, não adianta mentir, nem tentar se enganar, você sabe e nós também sabemos que Charlie estava falando de Aaron. Essa questão leva-nos ao papel de pai para Jack, sabemos que ele teve muitos conflitos com o pai desde criança, como mostrado em um flashback da 1ª temporada.

Parece-me que tinham visões de vida, valores e princípios diferentes. A questão do alcoolismo, da dependência química, não tenho base científica para afirmar isso, mas parece-me que tem um fator genético muito forte, já vi vários filhos de alcóolatras, que apesar da doença dos pais e mesmo a princípio repudiando o álcool, acabam também se enveredando nesse ou em outros vícios, infelizmente.

7) Acho muito engraçado o modo como alguns fãs de Lost reagem aos episódios por eles considerados fracos. No final da 3ª temporada, todo muito ficou espantado com aquele Jack barburo, alcóolatra, suicida e todos queriam saber como ele chegou a esse ponto. Mas parece que para esses fãs, cada novo mistério apaga o anterior. Ora, pessoas, queríamos respostas e elas estão aparecendo, uma por uma.

Imaginem um cara, um homem da ciência. que tem fortes conflitos com o pai, perfeccionista, extramentemente controlador, inseguro em relacionamentos, receoso se saberia constituir uma família e cuidar bem dela, afinal já teve um casamento fracassado, inseguro se seria um bom pai, tendo de conviver com tudo isso e ainda ter, periodicamente, visões do pai morto, como se vivo estivesse. É de pirar qualquer um.

8] Acho que o fato de o Jack considerar-se um homem da ciência o impede de procurar um terapeuta ou um psiquiatra. Afinal, ele é um médico, um excelente cirurgião, ele não quer ser considerado um louco, um cara que sofre alucinações, e a sua falta de fé o impede de aceitar qualquer fenômeno extra-físico, para ele é impossível que esteja vendo o espírito do pai, que este o esteja querendo dar algum recado.

9) O pai de Jack aparece para este no hospital. E após essa visão, assutado e nervoso, Jack pede para que a amiga médica lhe receite um remédio. Aí, Jack chega em casa, e vê a Kate desligando rapidamente o telefone, numa atitude meio suspeita. Por falar em Kate, ótima a observação de Camila Saccomori do “Blog Fora de Série” do Jornal Zero Hora, que pose de grávida é essa hein, Kate?
Ou será só pegadinha dos produtores de Lost?

Voltando a Jack, o medo de ser traído o apavora, ele faz a maior besteira que podia fazer, toma logo de uma vez 2 comprimidos do sedativo junto com cerveja. Começa aí a dependência química do Jack, e é também o início de sua atitude suicida que culmina no Jack barbudo, desesperado e autodestrutivo que vimos em”Through the Looking Glass.”.

10) A aparição do Christian Shepard no hospital foi sinistra. Porém apesar do detector de fumaça apitando, não acredito ter sido fruto de uma incursão do monstro de fumaça, não acho que ele atue fora da Ilha. Mas posso estar enganada. Até porque o Christian foi visto na cabana do Jacob, sentado na cadeira de balanço, o que foi muito, muito sinistro. No mínimo ele e o Jacob são amigões de longa data :) e não descarto a hipótese do Christian ser o próprio Jacob, vai saber.

Aliás o fantasma do Christian parece ser uma manifestação bem física, um materialização, vide o modo como ele segura o neto, o bebê Aaron, ao final do episódio, essa foi a cena que mais me arrepiei e acredito que a maioria dos espectadores também.
Enfim, essa é minha análise sobre o E10. Aguardando ansiosamente pelo próximo, Cabin Fever.

Namastê,

Lila





Lost: The Shape of Things to Come [S04E09]

5 05 2008

Para quem acompanha o seriado junto com a exibição nos EUA, pela AVI Channel ou é amigo de Paul Torrent.

A série favorita de todos os nerds voltou e voltou com força total. S-e-n-s-ac-i-o-n-a-l!!! Esse é um dos adjetivos que podem ser usados para descrever o S04E09 ( 9º episódio da 4ª temporada) de Loooooost. Outros seriam: excelente, estupendo, surpreendente.

O epi teve de tudo: ação, morte, monstro de fumaça na versão força master-baster máxima megaboga total shape, Benjamin Linus falhando pela 1ª vez, Ben chocado e chorando, demonstrando que debaixo de toda a sua frieza e segurança, ali dentro, no fundo, também bate um coração :o.

Se em episódios em que está somente em plano de fundo Ben já rouba a cena, como, no “The Benning of the end” em que diz: “Jack, com sua permissão, posso ir com ele (Locke)?” ou quando, em outro epi, Locke oferece chá gelado pra Saiyd e Ben levanta a mão e diz: “eu quero”, e sua cara de sede é impagável, em episódios centrados nele, o cara merece Emmy, Oscar, Bafta e até Grammy :).

Vou abandonar meus modos de boa moça para afirmar: Michael Emerson is “the man” “the boss’, “the bad ass”, “the fucking bastard son of the bitch motherfuck”, ele é O CARA.

Nunca um vilão foi tão humano, tão odiado e ao mesmo tempo amado, tão misterioso e enigmático e tão aceito pelo público. Apesar de suas ações dignos de Richelieu ou Maquiavel “os fins justificam os meios”, ele dá a impressão de estar agindo sob um propósito maior e o lema dessa 4ª temporada cai como uma luva para Ben “defend the island or die” ele com certeza morreria pela ilha, inclusive um erro de cálculo o fez responsável, (in)diretamente, pela morte da filha.

Vamos ao meu resumo comentado do episódio:
Sobre o início do episódio, duas considerações, os soldados mercenários do cargueiro tem uma ótima pontaria, mas erram todos os tiros em Sawyer? E como a Claire sobrevive a uma explosão? Ok, licença cinematográfica… vamos em frente.

Intrigante o que Ben diz após assistir a morte cruel de sua filha: “ele (Widmore) mudou as regras”. Que regras seriam essas? Seria um espécie de pacto, um código de honra, em que um dos seus termos seria “família não, nos comprometemos a não envolver família nessa guerra”?

Seguindo: Ben entra por uma porta e começa o flashwhatever.
No flash o vemos na Tunísia com um casacão de frio e saindo fumaça como se estivesse descongelando(?), depois luta com dois beduínos, escapando no cavalo de um deles, então vai a um hotel onde é cliente preferencial e pergunta a recepcionista que dia é aquele, ela fala o dia e o mês e ele pergunta de que ano? 2005. Descobrimos se tratar de um flashfoward, que prefiro chamar de flashfuture. Então vemos pela tv Saiyd dizendo que “só quer enterrar sua esposa”. Ben viaja para o Iraque para acompanhar o enterro de Nadia.

Minhas indagações;
1) Como Ben sai da ilha e aparece no meio do deserto da Tunísia com um casacão de frio e “descongelando”? Meu palpite é que ele de alguma forma conseguiu se deslocar no espaço, seria uma espécie de teletransporte e como sabemos viajar no tempo tem efeitos térmicos, vide o filme “De volta para o futuro” :P

2) Há portais dimensionais interligando lugares no planeta? É sabido que há lugares na Terra com estranhas propriedades como o Triângulo das Bermudas, e há teorias conspiratórias que indicaram que lugares “especiais” estariam interligados como Machu Picchu, São Tomé das Letras etc. Seria a Tunísia um desses portais?
Mais sobre esse assunto no podcast Radar Pop 41.

3) Pondo pimenta e um pouco de “credibilidade” no palpite 2, há uma teoria no blog Dude we are lost
” a hipótese do sanduíche”.

4) Ben controla o Lostzila? O que é ele afinal? Sua explicação estaria nas propriedades eletromagnéticas da ilha?

5) Agora sabemos como Ben recrutou Saiyd para ser matador. Mas quando será que Saiyd errou ao agir com o coração ao invés da arma, como Ben disse ao final do S04E03, “The Economist”? Será que foi quando Saiyd dedurou Michael no navio? Ou será que é algo relacionado a Penny, já que Ben diz a Widmore que vai matá-la? Será que por causa da amizade com Desmond, Saiyd “falha” ao não matar Penny?

6) E se Ben não pode matar Widmore, porque este é sua constante?

“Widmore: Eu me perguntava quando iria aparecer. Vejo que tem pegado mais sol.

Ben: O Iraque é adorável nesta época do ano. Quando começou a dormir com uma garrafa de uísque perto da cama?

Widmore: Quando os pesadelos começaram. Veio para me matar, Benjamin?

- Ambos sabemos que não posso fazer isso”.

Ben afirma a Widmore que irá matar Penny. Isso me deixa muito apreensiva, afinal Penny e Desmond é o casal mais legal de Lost.

Enfim concordo com o que escreveu o Bruno Carvalho do Ligado em Série: “Toda vez que os produtores e roteiristas de LOST querem nos surpreender, eles não o fazem dando respostas para os mistérios da ilha: eles mudam as perguntas que tínhamos”.

E é isso que mais me fascina em Lost, é o jogo de perguntas e respostas, hipóteses e teorias que fundem as cabeças dos fãs e nos deixa ávidos por novos episódios e novos mistérios. Pena que isso tudo termina em 2.010.

Mas tenho esperanças que alguém tenha ainda lance uma série tão espetacular quanto Lost, é esperar pra ver.

Lila