Essa montagem vocês já devem ter visto em vários blogs, mas resolvi colocar aqui também, por seu impacto e representatividade. Achei o link do autor é o Patrick Moberg. Comecei a escrever este texto em 09/11/2008. Era um texto para celebrar a eleição de Obama, mas depois de ler na net tantos comentários preconceituosos sobre ele, tive também que tocar no assunto racismo. Se vocês lerem os comentários dos posts nos links, comprovarão isso. Foram tantos coments ofensivos que fiquei 9 dias sem escrever, digerindo tudo. Isso também aconteceu com o caso Eloá, em que fiquei 3 semanas sem escrever. Estava tão chocada com o crime, o julgamento machista sobre a conduta das moças, a vitimização de seu algoz “só um jovem apaixonado, coitado”, a cobertura sensacionalista da imprensa, o desrespeito e falta de empatia pelo sofrimento das vítimas que aquilo tudo me bloqueou a vontade de escrever. Enfim, vamos ao post:
Uhul! Yes, we can! Obama Wins!
Assim que me senti quando anunciaram o resultado das eleições norte-americanas. Foi com alívio que recebi a informação que Obama tinha ganhado. Mas sinceramente, eu já sabia, mesmo acompanhando bem de longe, havia um clima no ar que não me deixava dúvidas. O mesmo clima de quando Lula venceu em 2002. Sinceramente, achava que nem com toda as fraudes do mundo os republicanos levavam essa. Bush Jr já é considerado o pior presidente americano de todos os tempos É com otimisto que vejo esta eleição de Barack Obama. Li muito sobre as eleições americana nos últimos dias e acho fantástico o fato de um país que era declaradamente racistas até pouco tempo, eleger um negro presidente. E em 04/11/2008 se fez História com H maiúsculo.
Sou otimista que Obama fará um governo diferente pela história de vida dele, pelos projetos e votações dele no Senado, pelos discursos firmes durante sua campanha, por acenar com a possibilidade de conversar com países considerados inimigos, inclusive Cuba, pelo fato de pertencer uma minoria – apenas 13% dos americanos são afrodescendentes, aqui no Brasil são eles são pelo menos metade da população. Mas é claro que não acho que ele seja uma espécie de super homem, muito menos o salvador da humanidade, como sugerem por aí os detratores, para desqualificar sua vitória. E que ninguém se iluda, como todo presidente americano é claro que ele vai defender os interesses dos EUA em primeiro lugar (a diferença é que ele parece preocupado com o interesses do povo americano também), o que aliás é a preocupação que todo presidente deveria ter com sua própria população.
Infelizmente nem tudo é alegria após a vitória de Obama, já há gente contestando, dizendo que ele não é negro. Ora, isso é de uma desinformação ou mesmo má fé enorme, o Caetano falou isso . A Ku Klux Kan também. Parabéns, Caetano, você está em ótima companhia.

Será possível que vão querer embranquecê-lo? Será que todo afro-descendente de sucesso vai ter que ouvir sempre “ah, mas você não é (tão) negro assim, você é moreno, é mulato”, etc. Não que isso seja essencial para a pessoa que é ele, o caráter ou a competência que tenha, mas não queiram apagar a identidade dele. Obama é negro, sua esposa é negra, suas filhas são negras, ponto. Interessante ver que a eleição de Obama reacendeou o debate sobre o racismo no Brasil e que aqui, dizem, o preconceito não é racil, é social. Mentira, papo furado, bullshit. Embora seja necessário ser afrodescendente para sentir na pele o racismo, não preciso ser negra para saber que ele é existe e que é odioso e hipócrita.
Olhem bem para esta foto, vocês todos que são contra as cotas nas universidades. Obama e amigos sentados no que parece ser a escadaria de uma universidade, perceberam que ele é o único negro? Não sei se ele valeu de ação afirmativa específica para entrar na faculdade, porque a família da sua mãe tinha dinheiro, mas sua esposa, de família pobre, muito provavelmente precisou. E, não, cota não é racismo às avessas, não é afirmar que o negros são menos inteligentes, é sim, constatar, que até hoje há uma enorme desigualdade social e infelizmente esta atinge mais os negros.
O que é racismo? Segundo a ex-Ministra da Secretaria Especial da Presidência da República para Políticas de Promoção da Igualdade Racial Matilde Ribeiro: “Racismo é quando uma maioria (étnica) econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros”. Navegando pela net este mês, encontrei vários gênios por aí dizendo: “Racismo, não existe porque não existem raças, somos todos da raça humana” ou “Racismo no Brasil é burrice, porque aqui somos todos miscigenados”.
Oh, Really? Agora conta aquela do papagaio. Vem cá, vocês acabaram de descobrir a América também, né? É ÓBVIO, para qualquer um minimamente informado que raças, no sentido génético da palavra, não existem entre os humanos. Mas existem diferenças étnicas e identidades culturais. Como diz a Conceição do blog Maria Afro: “A negritude também passa pela identidade, pelo auto-reconhecimento. Mas o nosso racismo não liga para esses pormenores: ele atira e depois pergunta, ele segrega na calada da noite, ele veta os bancos das universidades e os altos cargos executivos, ele mata pela ausência de políticas públicas na saúde, ele esconde o rosto negro da televisão ou quando o mostra, representa-o sempre nos velhos e estereotipados moldes…” É por isso, que faz sentido discutirmos racismo até porque ele existe e é crime inafiançável e imprescritível, escondê-lo ou ignorá-lo só piora a situação.
“Uma sociedade que tomou medidas especiais contra o negro por centenas de anos deve agora tomar medidas especiais para ele, para prepará-lo para competir em bases iguais e justas” (Where we go from here) Martin Luther King. Mas racismo e cotas devem ser tratadas em outro(s) post(s), com maior profundidade, análise jurídica e social, etc (até porque não consigo escrever pouco mesmo). Diante dos fatos e dos pensamentos racistas não se pode dizer que o preconceito é apenas social, o preconceito é TAMBÉM social, mas sobretudo é racial. Um branco que ascende socialmente nunca será impedido que entrar em restaurante chique, ou será parado numa blitz pelo simples fato de estar dirigindo um carro velho ou novo – que não seja popular – e baseado unicamente em sua cor, ser considerado suspeito.
Lila
Links:
Barack Obama eleito presidente dos Estados Unidos. Nasce um estadista
Racismo Wikipedia
Caetano cada vez mais gagá
Eu vi a história acontecer ou sobre-tudo-e-sobre-o-mesmo
Porque o Obama não é mulato
Eu tenho um sonho: Obama eleito presidente dos EUA
Judith Butler sobre a eleição de Obama
O Sorriso de Obama
Promessas que Obama não cumprirá, 1 de 3
Promessas que Obama não cumprirá, 2 de 3
Promessas que Obama não cumprirá, 3 de 3
Barack Obama é o novo presidente dos EUA
A direita antiintelectual entra em crise
Obs.: Achei tão estranho esse “antiintelectual”, dá vontade de por um hífen ali, isso é alteração da reforma ortográfica, ou já era assim mesmo?
E a Lola redigiu vários posts sobre a vitória de Obama
Viva Obama!
Meu presidente é negro
O Único
Obama e as mulheres
Vale a pena ver de novo: a esperança venceu o medo