Crítica: Hairspray 88 X Hairspray 2007

30 Setembro, 2008


Sinopse do filme pelo site Cine Pop: O ano é 1962 – os anos 50 já acabaram e a mudança está no ar. O sonho de todo adolescente da época é aparecer no “The Corny Collins Show”, o programa de dança mais famoso da TV. A jovem Tracy Turnblad, uma grande garota com um grande cabelo e um coração maior ainda, tem só uma paixão na vida: dançar. Mesmo sendo um tanto gordinha para os padrões locais, ela impressiona os juízes com seu estilo e ganha um espaço na atração.

Inspirada pelo Rapaduracast 94, cujo tema foi musicais, resolvi assistir aos musicais que ainda não tinha visto e decidi começar por Hairspray. Queria assistir só à versão citada por eles, a de 2007, mas o 1º arquivo que consegui era da versão de 88, resolvi assistir assim mesmo.

A adolescente Tracy gosta de armar seu cabelo com várias borrifadas de spray, e isso leva a professora a expulsá-la da sala de aula e dar-lhe um castigo: enviá-la para a educação especial. Ela diz: “não quero ir para a educação especial, é para deficientes e negros.” Na “detenção”, só ela é branca, todos os outros alunos são negros. Ocorre que ao ir para a chamada “detenção” ela fica amiga de um rapaz negro, aprende passos de dança com ele e acaba entendendo que há mais afinidades que diferenças entre eles.

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Maisa

29 Setembro, 2008

Então, minha querida meia dúzia de leitores, gostaria muito de escrever algo inédito hoje mas a verdade é que ainda estou muito cansada da prova p/ o concurso do STJ ontem. Parece até que fiz 3 horas seguidas de musculação. Então hoje vou deixar um texto p/ se pensar: um texto da jornalista Bia Abramo da Folha, sobre a menina Maisa do SBT.

Maisa e a vida diante das câmeras
ELA SÓ tem seis anos e estréia em um programa de entrevistas junto com Silvio Santos. Ela só tem seis anos e é uma espécie de celebridade no YouTube, onde diversos vídeos com cenas da menina estão disponíveis. Ela só tem seis anos e já passou metade da vida em frente às câmeras. Ela só tem seis anos e uma de suas tarefas é fazer frente à audiência do programa da Xuxa…
É natural, naturalíssimo, que, com tudo isso no horizonte, a pequena Maisa, apresentadora do “Sábado Animado”, comporte-se com um extremo de excitação. E é isso mesmo, esse estado alterado, que produz suas gracinhas e suas gafes. A menina é desenvolta e graciosa, não há dúvida, mas é também dona de uma espontaneidade fabricada e de um exibicionismo desconcertante.
A combinação é explosiva, bem na medida de um certo gosto televisivo pelo excepcional que beira o grotesco. Não é à toa que Maisa tem sido um dos personagens que freqüentam com uma certa constância o “Top 5″ do “CQC”. Também não é por acaso que, recentemente, os pais e o SBT tentaram barrar o assédio da imprensa, vetando entrevistas com a menina.
Sua performance na televisão, apresentando desenhos animados e conduzindo game shows com os telespectadores, provoca sentimentos muito ambíguos.
Crianças como protagonistas na mídia sempre o fizeram. O talento precoce tem um lado encantador, mas, ao mesmo tempo, repulsivo -sobretudo, quando, em vez de talento, trata-se simplesmente de um jeito, da macaqueação desavisada de gestos e maneiras adultas. Aquilo que parece adorável, segundo algumas sensibilidades, pode provocar também o sarcasmo em outras. E reagir de forma sarcástica diante de uma criança é algo muito, muito brutal.
Não por que as crianças sejam “inocentes”, como se acreditava antes da psicanálise e ainda resiste como clichê. (Clichê, aliás, que a TV adora.) Mas por que elas ainda não têm o aparelhamento emocional para lidar com os sinais trocados do escárnio e da ironia, muito menos quando são dirigidos a elas.
Agora, ela vai dividir o palco com ninguém menos do que um dos personagens televisivos mais hábeis em zombar dos outros parecendo que está sendo simpático. A atração consistirá numa espécie de talk-show, cujo assunto, sempre será a menina e sua desinibição.
Silvio Santos fará perguntas dos telespectadores a Maisa e se pode imaginar muito bem qual será o propósito dessas questões. Ela, ainda, só tem seis anos.

Bia Abramo
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Essa menina tem jornada de trabalho maior que de muitos adultos, já vi sua imagem mostrada por horas a fio na tv, em exibições todos os dias da semana, de domingo a domingo. Até acho que nem todos os programas exibidos são ao vivo, mas quantas horas por dia ela precisa trabalhar, pra deixar tudo isso gravado? E a impressão que dá é que tudo ao vivo. Quando ela estuda? Quando ela brinca? Quando ela interage com amiguinhos da idade dela?
Vejam esse vídeo no You Tube:
Maisa
Tudo bem, ela é lindinha, tudo bem, ela é talentosa. Mas vocês também repararam na carinha de cansada dela no vídeo? E ela ainda é apenas uma criança!

Lila


Links do finde

27 Setembro, 2008

Como nunca atualizamos o blog nos fins de semana, resolvi criar essa seção com os links interessantes que vi hoje e durante a semana.

Mini miss mundo
Sorry, mas para mim, fazer da filha de 5 anos miss é trabalho infantil. Imagino que já deve ser bem difícil esse mundo de modelo, moda e beleza para uma adolescente, imagine para uma criança de apenas 5 anos. E me parece que a mãe dela precisa muito de tratamento psicológico, leiam.
Mini miss mundo

Como sou contra quaisquer preconceitos, fiquei muito feliz com essa notícia: Negros e pardos superam brancos, segundo IBGE

Pra pensar: Quem é de fato o presidente dos EUA?

Atitude ambiental:
Como ajudar a acabar com o meio ambiente parte 1

Como ajudar a acabar com o meio ambiente parte 2

As profissões em mundo digital: O que você faz mesmo?

Folha: Morre Paul Newman

G1: Morre o ator Paul Newman

Sarah Palin se esforça para falar “coisas” que façam sentido

Conservadores acham que gays atrapalham a instituição casamento

Essa já é meio antiga, mas muito bizarra:

Moto acoplada na coluna Cada vez mais é onda é investir em veículos pequenos e individuais na tentativa de poluir menos.

Ah, tá! Não sei devido aos meus últimos posts estressados, algum dos meus 6 leitores ficou preocupado, tenho que dizer que hoje estou bem melhor. Na verdade quando tenho prova de concurso fico uma pilha até a véspera da prova, mas no dia mesmo, geralmente estou tranquila, ainda bem!

Bjokas

Lila


Coisa de criança

26 Setembro, 2008

Para quem não sabe eu tenho três sobrinhos, a mais velha tem 4 anos de idade e está na escolinha. Esta semana ocorreu um fato que demonstra o quão sagazes são estas crianças de hoje.

A professora mandou pintar o desenho de um cavalinho, e minha sobrinha com sua criatividade latente pintou de azul. Só que a professora não gostou muito e foi falar com ela. Abaixo o diálogo das duas:

_ Sthefanie, porque vc pintou o cavalo de azul? Não tem cavalo dessa cor. Minha sobrinha mais que depressa retrucou:

_ O cavalo é meu, eu pinto da cor que quiser. (Toinhoinhoinnnn!!!!)

Sinceramente, eu no lugar da professora nunca mais fazia uma pergunta direta pra uma criança pois a resposta pode ser mais direta ainda.


Insônia e chuva

26 Setembro, 2008


São três e meia da manhã e estou com insônia, dor de cabeça, não consigo dormir. Tenho insônia desde os 13 anos. Qualquer mudancinha de rotina é capaz de me causar insônia, uma consulta médica, um exame, uma prova, se for de concurso, então…
É f.. você estar cansada, fechar os olhos, e nada, só rolar na cama, o cérebro não desliga, você começa a pensar e a lembrar de um monte de coisas. Refaço mentalmente a minha agenda para as próximas duas semanas, lembro das matérias de editais de concurso, assisto episódios de séries de comédia no meu MP4, ouço música, cd de meditação e nada, não relaxo, não descanso.
Se pelo menos eu fosse do tipo que não sente sono, que consegue se concentrar de madrugada, mas não, fico com tensa e ansiosa, porque o sono está aqui, eu bochejo, eu quero dormir, só não consigo.
Já fiz exames de polissonografia e a causa é emocional, se fosse uma causa física, seria mais fácil, era só tomar um remédio, quando a insônia vem não há antidepressivo que dê jeito (e agora? esse “vem” tá certo? tô confusa com essa reforma ortográfica).
Outra coisa: deteeeeesto acordar cedo. Detesto que me acordem com barulho, detesto que me acordem com falatório, detesto que chamem meu nome de manhã, detesto que me acordem de qualquer jeito, detesto despertador, por mim o dia só começava às 10 da manhã.
Quando tenho insônia ou durmo mal, amanheço de mal humor, irritada, melhor nem falar comigo, mal respondo, só resmungo. E só consigo me concentrar mesmo em algo, 100% em algo, umas duas horas depois que acordo. Sabe aquela comunidade do Orkut Sou uma ameba pela manhã? Pois é, me identifico.
Já li notícias que pesquisas indicam que o hormônio do crescimento é fabricado durante o sono, certeza que por isso não cresci, sou baixinha, tenho só 1,55m. Já li também que dormir mal, engorda. Rá, tô lascada!

PS1.: Aqui em Brasília tá chovendo desde às 18h, finalmente chuva pra valer, acho que a última vez que isso aconteceu foi em março, “são as águas de março fechando o verão…” Essa cidade tem a desfaçatez de ficar 6 meses sem uma gota de chuva e a gente tendo que aturar temperaturas por volta de 30º e umidade relativa do ar de 12% a 18%, não é bolinho, viu?
PS.2: quem disse que chuva ajuda dormir?

Textículo bobinho sobre insônia aqui: Pensar causa insônia

Lila


Iphone no Brasil

24 Setembro, 2008

Depois de mais de um ano de seu lançamento nos Estados Unidos, finalmente chega oficialmente ao Brasil o iphone, o brinquedinho da apple que conquistou inúmeros fãs. Como muitos produtos da apple ele tem uma aura que parece hipnotizar as pessoas.

Se compararmos a outros aparelhos semelhantes vamos ver que o celular da marca da maçã tem deficiências incompreensíveis, tais como camera fotográfica de 2 mega pixels, não tem GPS, não envia MMS, ou seja, se vc tirar uma foto bem legal, num tem como mandar pra outra pessoa de uma forma simples, não tem função de copiar e colar, não tem GPS, entra outras coisas. O que ele tem de bacana, acessa a internet onde tiver conexão wireless, toca vídeos, toca música, tem como base o sistema operacional OSX, tem inúmeros programas desenvolvidos específicamente para ele.

O maior problema do iphone no Brasil deve ser o preço, se tomarmos outros celulares como base podemos ter certeza que o aparelho será acessível apenas para uma elite, que inclusive já está sendo contactada pelas operadoras e dizendo se aceita ou não pagar pelo “privilégio” de ser um dos primeiros no País a ter esta coqueluche mundial. Minha aposta é que o preço fique em torno de 1.500,00 reais, no plano “venda sua alma”.

Vamos ver quem vai ou não se frustrar com a chegada tardia do iphone. Eu sinceramente prefiro gastar meu rico dinheirinho com outras coisas mais úteis. Aos que animarem um aviso, corram pois somente duas mil unidades serão comercializadas nesta primeira leva, ser vc for um dos contemplados, parabéns e boa sorte.

UPDATE: para saber alguns detalhes dos planos oferecidos pela Claro, clique Garota sem fio e para valores: Preço do Iphone.

Faber


TPC: tensão pré concurso

24 Setembro, 2008

Estou à beira de um ataque. Tenho prova de concurso domingo. E só consigo pensar o quanto ainda tem coisa pra estudar ( o edital era enorme), que ainda tem coisas que quero revisar, que não estudei o suficiente. Estou muito irritável e sem paciência. Tensa, com insônia e dormindo mal.

E para piorar sou do tipo que costuma descarregar tensões emocionais na comida. Tenho comido muito e estou com uma vontade incontrolável de comer doce, sorvete, chocolate. E um sorvete cai muito bem, já que aqui em Brasília costuma fazer, em torno 32°C todo dia, com umidade relativa do ar ficando em torno dos 14% ! (Acredite)

Nem precisa dizer que não consegui estudar direito por causa das condições climáticas, me dava dor de cabeça, cansaço, indisposição. Tô acostumada a altas temperatura, o problema é a secura, ventilador ligado o dia todo, muita água e nada resolve. Mas quem disse que na minha cabeça isso é uma explicação plausível? Não, minha mente – que gosta de me boicotar, fala que isso é desculpa.

E vida de concurseira é assim, já estou pensando nos próximos concursos e cursinhos. Ajudaria muito se eu me cobrasse menos, mas quem disse que isso é fácil? Tento racionalizar que estou fazendo o possível, mas lá vem aquela maldita culpa me perseguindo. Nos dias que estudo pouco (umas duas horas) sempre fico culpada. Se estudo só à tarde, me penitencio por não ter estudado à noite.

Culpa é uma coisa bem feminina né? Nós sentimos culpadas por tudo: se engordamos 200g, se aparece uma espinha no nariz, se o filho apronta alguma, se nosso corpo não é igual ao das capas de revista (mesmo sabendo que há muito photoshop e que não podemos malhar 3 horas por dia), se brigamos com o namorado/marido,  se existe o fenômeno do aquecimento global…

Não sei se tem a ver com uma culpa inconsciente pelo tal do mito do pecado original que jogaram em nossas costas, o fato é que parece que carregamos em nossas testas: Mulher=culpada.

Lila


Engodo americano: Sarah Palin

22 Setembro, 2008

Conforme o dicionário Houaiss, engodo é:

1 isca usada para atrair animais, esp. aves ou peixes; ceva
2 qualquer artifício utilizado para atrair alguém; chamariz
3 falsa atitude de lisonja, de adulação
4 qualquer tipo de cilada, manobra ou ardil que vise enganar, ludibriar outrem, induzindo-o a erro

Impressionante como todas as acepções servem para definir a candidatura de Sarah Palin à chapa presidencial dos Republicanos.

No post abaixo, transcrevi na íntegra matéria do El Pais sobre Palin. Nesse post meus comentários a trechos da matéria.

Ex-rainha de beleza, ultraconservadora com cinco filhos, aspecto de bibliotecária, voz de passarinho, credenciais acadêmicas medíocres e governadora de um estado exótico como o Alasca, se autodefine como uma “hockey mom” – uma mãe dedicada, das que levam os filhos às competições esportivas.

Ex-rainha de beleza: a descrição de Sarah Palin na matéria, começa focando o que, para muitos, é a qualidade essencial de toda e qualquer mulher: a beleza, afinal mulher só serve se for bela e jovem (menos de 40 anos, quando, para estes, acaba o prazo de validade da mulher) e excepcionalmente, mesmo quando não é jovem, ainda tem serventia se for “bem cuidada, conservada”.

Quantas vezes você viu matérias na mídia enfocando a beleza de determinada celebridade APESAR da idade: Xuxa, bela aos 42, Luiza Brunet, linda aos 45, Suzana Vieira, de biquini, ostenta corpão aos 63, etc, e a lista é imensa, praticamente não há matérias com mulheres acima de 40 anos e que “ainda” que estão na vida pública, que não tenha esse enfoque.

Ultraconservadora com cinco filhos Ainda não sou mãe, mas não acho que o simples fato de ela ser mãe de 5 filhos, a credencie para representar todas as mães norte americanas e nem que ela seja um espelho para a mulher média. Na minha opinião, não há dúvida nenhuma, sua figura é um acinte sim a todas as conquistas que as mulheres conseguiram em décadas de luta, aliás necessário dizer que as conquistas do movimento feminista se estendem a todas as mulheres mesmo às machistas e conservadoras.

As mulheres conservadoras não costumam se identificar como feministas, movimento que muitas vezes desprezaram. Mas as defensoras da governadora não só não recusam o termo como tentam apropriar-se dele. Afirmam que ela encarna um novo feminismo, melhor. O das mulheres fortes e capazes de tudo, independentemente de suas crenças. A própria Palin é membro de uma associação contra o aborto chamada Feministas pela Vida. Para o movimento feminista herdeiro dos anos 1970, seja qual for sua ramificação, um feminismo antiaborto é simplesmente um paradoxo.

Sua autoproclamação como representante de todas as mulheres foi contestada furiosamente. Gloria Steinem, conhecida feminista seguidora de Clinton, publicou uma crítica feroz à candidata republicana no “Los Angeles Times” na qual afirmou que “a única coisa que Palin tem em comum com Hillary Clinton é um cromossomo”. “Feminismo não significa que uma mulher concreta encontre um trabalho”, prosseguiu. “É sobre tornar mais justa a vida das mulheres de todos os lugares. Palin se opõe a quase tudo o que Clinton defendia, enquanto Barack Obama ainda o defende.” E concluiu salientando que protestar pela derrota de Clinton votando em McCain e Palin “seria como dizer ‘alguém roubou meus sapatos, por isso vou amputar minhas pernas’”.

E não, não acho MESMO que é bom uma mulher no comando do país mais rico e influente do planeta, seja quais forem suas convicções. Concordo com a Gloria Steinem, para mim, seria a mesma coisa de o Celso Pitta (sabiadamente corrupto e péssimo administrador, cria do Maluf) candidatar-se à presidência do Brasil e o argumento para se votar nele seja: “O Brasil nunca teve um presidente negro, logo vamos votar em Celso Pitta”. Não sou racista mas não acho que válido votar em Obama só porque ele é negro, tem que se ver as propostas de cada um e se demonstram ter competência para governar.

Pensei numa coisa genial: se os americanos se acham mesmo donos do planeta, se afirmam que sua missão é levar o capitalismo e a democracia à todas as nações do mundo, deveríamos também ter o direito de votar em suas eleições presidenciais, quem sabe assim se evitaram fraudes como as coações que impedem os negros votarem, fraudes como a eleição de George W. Bush e a cara de pau da Sra. Palin em ser contra todos os direitos que o Feminismo conquistou e ainda assim se autodenominar feminista.

Antes que me interpretem mal, claro que é sarcasmo querer que o resto do mundo possa votar na eleição americana, porque assim como defendo a soberania brasileira ou iraquiana ou boliviana, não faria sentido querer se intrometer nas decisões internas do povo norte-americano, mas que dá vontade que isso aconteça, ah isso dá.

Felizmente, parece que o “furacão” Palin não dá mostras de querer decolar, veja nesse link do blog O biscoito fino e a massa : Mulheres preferem Obama (aliás que mania horrorosa de denominar mulheres fortes ou que se destacam por fenômenos da natureza, aff).

A usurpação de uma imagem feminista por Sarah Palin seria cômica – pelo ridículo da situação- se não fosse trágica – porque tem muito gente mal informada ou mal intencionada vendendo o engodo como verdade.

Lila


Sarah Palin encarna um novo feminismo, dizem eleitoras

22 Setembro, 2008

Gostaria de escrever bem mais aqui, de ter atualizações todos os dias, mas tô numa correria de concurseira e tá difícil. Hoje vou transcrever um matéria do El Pais sobre a Palin, que saiu no UOL e era restrito para assinantes, mas acho que tem que ser divulgada, por isso coloco-a na íntegra. Depois posto os meus comentários sobre a matéria.

El Pais: Sarah Palin encarna um novo feminismo, dizem eleitoras

A candidata à vice-presidência dos EUA anima o debate sobre os valores que as mulheres devem defender na política

Mónica C. Belaza
Em Washington

“Você é como nós”, gritam as fãs de Sarah Palin nos comícios, enquanto seguram o batom no alto como se fosse um isqueiro em um concerto. A candidata republicana à vice-presidência dos EUA não se parece com outras mulheres que chegaram a posições de poder. Ex-rainha de beleza, ultraconservadora com cinco filhos, aspecto de bibliotecária, voz de passarinho, credenciais acadêmicas medíocres e governadora de um estado exótico como o Alasca, se autodefine como uma “hockey mom” – uma mãe dedicada, das que levam os filhos às competições esportivas.

Mulheres seguram batons durante comício de Sarah Palin, em Golden, no Colorado

É um espelho no qual a mulher média pode se refletir. Mas é contra postulados básicos do feminismo, como o aborto, inclusive no caso de violação e incesto. É bom que uma mulher alcance um dos cargos mais poderosos do planeta, sejam quais forem suas convicções? O debate está em brasa. Não há acordo sobre se sua figura é um insulto à essência do feminismo ou uma inspiração grandiosa.

Palin, 44 anos, é a segunda mulher que surge nesta campanha presidencial. Hillary Clinton foi derrotada nas primárias democratas, mas conseguiu 18 milhões de votos, um êxito sem precedentes. Quando Palin entrou em cena – como golpe de efeito necessário para revitalizar a preguiçosa candidatura republicana -, colocou-se imediatamente como herdeira natural de Clinton, apesar de que durante as primárias a tivesse qualificado de “chorona” por falar de sexismo. Agora a elogia enquanto se nomeia a encarregada de quebrar “de uma vez por todas” o telhado de vidro, a barreira invisível que, segundo as teorias de gênero, impede que as mulheres alcancem os postos de maior responsabilidade.

As mulheres conservadoras não costumam se identificar como feministas, movimento que muitas vezes desprezaram. Mas as defensoras da governadora não só não recusam o termo como tentam apropriar-se dele. Afirmam que ela encarna um novo feminismo, melhor. O das mulheres fortes e capazes de tudo, independentemente de suas crenças. A própria Palin é membro de uma associação contra o aborto chamada Feministas pela Vida. Para o movimento feminista herdeiro dos anos 1970, seja qual for sua ramificação, um feminismo antiaborto é simplesmente um paradoxo.

Sua autoproclamação como representante de todas as mulheres foi contestada furiosamente. Gloria Steinem, conhecida feminista seguidora de Clinton, publicou uma crítica feroz à candidata republicana no “Los Angeles Times” na qual afirmou que “a única coisa que Palin tem em comum com Hillary Clinton é um cromossomo”. “Feminismo não significa que uma mulher concreta encontre um trabalho”, prosseguiu. “É sobre tornar mais justa a vida das mulheres de todos os lugares. Palin se opõe a quase tudo o que Clinton defendia, enquanto Barack Obama ainda o defende.” E concluiu salientando que protestar pela derrota de Clinton votando em McCain e Palin “seria como dizer ‘alguém roubou meus sapatos, por isso vou amputar minhas pernas’”.

Steinem não foi a única a reagir. Um bom número de feministas está há duas semanas se pronunciando contra Palin. Criticam várias questões. A primeira, a própria natureza da nomeação da governadora, com pouca experiência. Afirmam que é uma falta de respeito pensar que, necessariamente, as mulheres vão votar em outra mulher. Em segundo lugar, dizem que o feminismo não é qualquer coisa, mas um movimento que defende certos princípios – como o direito ao aborto, a educação sexual ou a igualdade de direitos para todos, incluindo os homossexuais – e que o conservadorismo religioso e extremo de Palin impede que possa ser qualificada como tal. E finalmente algumas indicam que sua forma de vida, empenhando-se no trabalho como foi concebido pelos homens e renunciando inclusive às licenças-maternidade – voltou ao emprego apenas três dias depois do nascimento de seu bebê com síndrome de Down -, não tem nada a ver com o que elas reivindicam.

Mas entre as que se consideram feministas tradicionais surgiram algumas vozes discrepantes em blogs e jornais. Mulheres defensoras do aborto e da educação sexual afirmam que, embora Palin tenha idéias contrárias às suas em alguns pontos, o importante é que uma mulher chegue a um cargo tão alto quanto a vice-presidência dos EUA. Por vários motivos: pela visibilidade, porque será um modelo para as novas gerações e porque, mesmo que seja conservadora, é uma mãe trabalhadora que conhece os problemas das mulheres para conciliar trabalho e família.

A esta última teoria se somaram algumas seguidoras de Hillary Clinton. Nayeli Salvaraj tem 30 anos, uma filha e vive no norte da Virgínia. Em todas as eleições até agora votou no Partido Democrata. “Sou a favor do aborto, mas não é o centro da minha vida. Eu quero que uma mulher chegue à Casa Branca e meu partido falhou em relação a Hillary Clinton quando não a nomeou vice-presidente. Foi sexista. Por isso votarei nos republicanos pela primeira vez, em Sarah Palin.”

Na rua, a maioria das mulheres não entende de teorias feministas nem parece se importar se pode catalogar Palin como tal. Suas defensoras dizem que, feminista ou não, ela é forte, inteligente e exemplar. Sobretudo é uma mulher que se parece com elas. E querem que ela chegue ao poder. O batom se transformou em uma espécie de grito de guerra, um símbolo de identidade. “É como se eu pudesse mandar na Casa Branca”, disse Shirley Honcock, 67 anos, em um comício de McCain e Palin em Fairfax (Virgínia). “Ela fará as coisas que eu gostaria de fazer.”

É uma idéia repetida. Diante de um Barack Obama inteligente demais, com um passado estranho e que estudou em boas universidades, se situou uma mãe comum não muito instruída, mas com muito empenho. Nas cidades de subúrbio com residências unifamiliares, veículos todo-terreno e shopping centers, muitas chegaram à conclusão de que a melhor qualidade para dirigir o país é o senso comum de qualquer mãe de família. “Se não é isso que as feministas querem, não entendo nada”, diz uma mãe que se define como republicana, enquanto faz compras em um K-Mart da Virgínia com seus trigêmeos de 6 anos. O rosto de Sarah Palin ocupa as capas das revistas do supermercado. “É uma revolução. Uma mulher tradicional que decidiu mandar.”


Sou feminista

16 Setembro, 2008

Quero escrever algo relacionado ao feminismo desde que li uma reportagem da Deborah Secco na Contigo na qual ela diz: ”Mulheres sensuais são mulheres fortes e eu não me sinto assim. Sou mulherzinha, gosto de ficar em casa, cozinhar, servir, agradar. Eu gosto de ser pega no colo, de ganhar um carinho. Não sou supermulher. Acho péssimo a igualdade (entre os sexos). A gente só saiu perdendo, ficou sobrecarregada. Botar uma mesa, arrumar uma casa e fazer compras é muito importante para mim.”
Uau, só faltou falar que não gosta de sexo, para o estereótipo de mulherzinha ficar completo.

Na época fiquei com vontade de escrever algo, mas por estar numa fase mais introvertida e sem vontade de escrever, acabei deixando passar. A chamada para a tal entrevista saiu na capa do UOL, o que significa que esse monte de abobrinhas teve grande alcance. Repudio esse tipo de afirmação porque:

1º A Deborah deve ser leitora assídua da revista Amélia, que ilustra este post. Para mim parece que ela está confundindo as coisas, uma mulher pode muito bem ser forte e ao mesmo tempo delicada e feminina. E que eu saiba, toda mulher gosta de carinho e de ser pega no colo. Isso não é incompatível com ser feminista.

2º Nenhuma de nós é supermulher, por isso mesmo a implantação da igualdade entre os sexos – que ainda não é plena – é importante. Sabe, querida Deborah, se seu marido chega em casa cansado do trabalho, aposto que você também chega, e porque só a mulher deve preparar a janta?

Eu e meu namorado, o Faber, costumamos passar todos os sábados juntos e fazemos assim: uma vez eu preparo o almoço (e isso não faz menos feminista), de outra vez ele cozinha (e isso não o faz menos homem), às vezes almoçamos fora e nossa relação vai muito bem, obrigada.

3º Como disse a Gabi do blog Gente, foi horrível: “Nossa, que coisa mais linda ela querer ser Amélia. O sonho dela era ficar trancada dentro de casa, lavando e passando roupa do marido: ‘Sou mulherzinha, gosto de servir agradar’, fazendo tricô e trocando receitas com as amigas quando o esposo permitisse“. (grifo meu) “Milhões de mulheres lutaram para poder votar, mas ela quer desigualdade. Ainda hoje, muitas executivas são infinitas vezes mais competentes que homens que ocupam o mesmo cargo e ganham menos. E ela acha PÉSSIMO essa igualdade que ainda nem existe”.

As brasileiras hoje têm mais escolaridade que os homens, mas só 11% dos cargos executivos das 500 maiores empresas brasileiras estão ocupados por mulheres, segundo pesquisa do Instituto Ethos. Pior é a diferença salarial. Se a mulher tem três anos de escolaridade, ganha 82% do que os homens ganham. Se tem 15 anos ou mais de estudo, tem que se contentar com 56%.

4º Estamos sobrecarregadas justamente porque a igualdade ainda NÃO existe. Porque um dos motivos da ascensão do movimento feminista não foi nos tornar supermulher nem competir com os homens para ver quem é mais macho, mas sim ter direitos e obrigações iguais.

Vim de uma criação machista, moro com meu irmão e é um saco ter que lavar as louças quase todo dia, porque se não lavar, periga ele deixar acumular por 3 dias na pia e achar que tá tudo bem. Além disso, sou eu 99% das vezes que faço faxina, que lavo o banheiro, senão o apto fica imundo. Nas vezes que ele lava tenho que ficar reclamando e insistindo, da última vez falei:”mas sou sempre eu que lavo? Tenho pena da sua futura esposa, você não vai ajudar não?”

5º Ela realmente tem um namorado maravilhoso, que faz valer todos esses sacrifícios, pois ela declarou no programa da Ana Maria Braga que ele sempre diz: “se você engodar, pode esquecer o casamento”. Nossa, isso que é amor [/ironia]. Deve ser por isso que ela está um palito, não é mais Deborah Secco é Deborah Secca. Também um mulher com tais pensamentos sexistas só pode ter um namorado machista e superficial mesmo.

Mas se na época eu não falei nada, a Secca falou e disse algo talvez pior, ao se convidada para ser madrinha de casamento de Juliana Paes, disse: ” o papel da madrinha não é só o de subir bonita no altar. “Sou antifeminista.Vou ficar no pé dela para ser fiel. Acho que mulher tem que saber o que tem para o almoço e, mesmo cansada, ir jantar com o cara. Em troca, eles levam o carro para consertar.”

Por que me parece pior? Porque quer inferir no casamento da amiga e como disse a Cynthia do blog Cynthia Semíramis “cada casal tem suas próprias formas de organização e distribuição de tarefas”. Eu completo dizendo: que madrinha mala!

E outra: é muito fácil ser anti-feminista quando se almoça e janta fora todos os dias ou quando se tem empregada pra fazer a comida, até porque a beldade já disse que não sabe cozinhar. Queria ver se ela ia ter o mesmo pensamento, se fosse dona de casa.

Ou se além de trabalhar fora ainda tivesse que lavar, passar, cozinhar e ainda criar os filhos sozinha, realidade de milhões de mulheres no Brasil. Além de machismo, é um pensamento elitista. Ponha os pés pra fora da sua redoma de vidro de Classe A e veja a realidade, Deborah.

Para completar, essa semana no blog Não 1 Não 2, li um artigo de outra mulher se dizendo antifeminista: “Eu digo sempre que odeio aquela ‘FDP’ que queimou o soutien. Ela nos deu independência para correr atrás de sonhos, carreira, abrir mão de ter filhos, abrir mão da feminilidade… em troca de quê? De nada.”

No texto, a autora também confunde feminismo com falta de feminilidade. Só um recado: colega, você não precisa abrir mão de nada disso, e você pode ser dona de casa, se quiser. E se tiver um marido que ganhe muito bem, porque hoje em dia, com marido e mulher trabalhando o orçamento anda apertado, imagine só um sustentando a casa.

Parece que quem faz o discurso do antifeminismo não se dá conta que ser anti-feminista é ser machista. E ser machista é ser contra: a criminalização do estupro e da violência contra a mulher, a proibição do homicídio para “lavar a honra” do marido; o direito de as mulheres votarem e serem votadas; o direito de termos uma carreira (embora ainda tenhamos remuneração menor, no mesmo cargo), o direito de não termos um papel definido para o resto da vida – como ser obrigatoriamente mãe e dona de casa, o direito de divisão das tarefas domésticas, entre outros.

Então, homens e mulheres que lerem este artigo, vamos ajudar a implementar todos esses direitos?

Sou feminista e não sou feia, chata, boba, mal amada e lésbica. Abaixo o machismo, a homofobia, os preconceitos e estereótipos.
Lila